“I have a dream!”

Opinião de Renato Campos

Diz o poeta que o sonho comanda a vida e sempre que o homem sonha o mundo pula e avança…! Também eu, neste período de profecias para o Novo Ano e tal como Luther King, gostaria de exclamar, em 2015 “Eu tenho um sonho” para o meu país!

Um sonho bonito e partilhado, em que o meu país não continuasse nesta agonia do empobrecimento e da delapidação contínua do seu serviço público; que fosse possível terminar com o flagelo do desemprego, especialmente dos mais jovens; que fosse contrabalançado o envelhecimento geracional e não houvesse uma tão baixa taxa de natalidade por falta de perspetivas futuras; que as falências não fossem uma calamidade diária, sobretudo das pequenas e micro empresas; que o serviço público não fosse mais denegrido e alienado a duvidosas privatizações de capitais especulativos.

Enfim, que neste meu país, os velhos e as crianças não fossem abandonadas nos hospitais; que as crianças deixassem de ir para a escola com fome; que não houvesse pessoas a entregar a casa aos Bancos por falta de pagamento; que não existissem famílias inteiras desempregadas e sem perspetivas de voltar ao trabalho; que não houvesse tantas pessoas a recorrer, forçosamente, às instituições de solidariedade social; que tanta gente não deixasse, por falta de meios, de ir ao médico e a protelar a compra de medicamentos; que não regressassem os casos de tuberculose e de outras epidemias características da subalimentação; que não fosse preciso continuar gente a emigrar, sobretudo jovens quadros; que não houvesse um crescendo dos “sem abrigo”, particularmente de idosos a quem tiraram parte da mísera pensão ….

Um país onde os governantes governassem para os cidadãos e não para subserviência especulativa financeira dos “mercados”.

Sobretudo, um país onde os governantes governassem para os cidadãos e não para subserviência especulativa financeira dos “mercados”; um país onde a valorização do Estado Social fosse um objectivo programático, e em que a solidariedade fosse uma prática imbuída nos direitos de cidadania.
Como, afinal, gostaria de acordar deste sonho e constatar que, de facto, o sonho comanda a vida, e que o meu país tinha dado um pulo qualitativo no seu desenvolvimento e que a esperança e o acreditar fossem a motivação do nosso quotidiano…

Para isso, é necessário voltar a acreditar nas nossas capacidades e saber aproveitar, com uma correta visão estratégica, os fundos comunitários que, pela última vez, irão chegar e, muito particularmente, acreditar convictamente nas invejáveis e diversificadas potencialidades de uma nação com nove séculos de história e com muitas e gloriosas epopeias.

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Hoje, para além de um sonho de esperança, também como disse Luther King, é preciso não esquecer que, mais do que o grito dos violentos, o que nos deve preocupar é o silêncio dos bons. E no meu país, o silêncio não pode continuar a ser ensurdecedor!

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