Idiossincrasias da Universidade Portuguesa

Opinião de Miguel Montez Leal

A história da Universidade portuguesa é muito longa. É unanimemente aceite que a Universidade de Coimbra é a mais antiga universidade portuguesa, uma das mais antigas da Europa e do Mundo, fundada pelo Rei D. Dinis em 1290 e celebrando este ano os 725 anos de idade. O que muitas vezes se oculta é que a primeira universidade portuguesa foi fundada em Lisboa, com o nome de Escolas Gerais, num edifício e numa pequena rua que ainda hoje existem nas faldas do castelo de S. Jorge. Foi depois transferida para Coimbra, para depois voltar a Lisboa e só a partir de 1537, com D. João III, é que ficou definitivamente instalada na cidade do Mondego. Poucos anos depois, em 1559, seria criada pelos jesuítas a Universidade de Évora, escola superior extinta em 1759 pelo Marquês de Pombal.

Em 1911 são fundadas duas novas universidades públicas, a de Lisboa e a do Porto e só com a instauração da democracia se deu a reabertura da Universidade de Évora (em 1979). A Universidade Católica Portuguesa seria criada em 1967 e a Universidade Nova de Lisboa, pública também, seria fundada em 1973. A estas instituições se juntariam as variadas universidades públicas (Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro, Aveiro, Beiras, Algarve, Madeira, Açores) e politécnicos que constituíram, conjuntamente com as universidades privadas, uma vasta rede de ensino por todo o País.

Passados todos estes anos o número de portugueses licenciados até 2011 é de 12% da população total portuguesa, ou seja pouco mais de 1 português em cada 10; aumentou também o número de pós-graduados, com mestrado (desde a Reforma de Bolonha praticamente obrigatório) e exponencialmente o número de doutorados graças a uma política de investimento em ciência (no sentido de saber) e tecnologia, para novamente este número estar a afunilar.

O salto educacional no País foi gigantesco, mas hoje ter qualquer um destes graus académicos já não é sinal de ascensão social ou de segurança e estabilidade económica. Portugal paga mal aqueles que têm muita formação. E poucos são ainda infelizmente os empregadores que contratam mão-de-obra especializada e muito qualificada, o que obrigaria a altos salários. É costume dizer-se em economia que uma empresa que só consiga pagar salários mínimos não tem um grande futuro, um grande futuro a longo prazo.

A universidade tal como a conhecemos tem origem na época medieval e muitos dos seus rituais, costumes e hierarquias seguem esse mundo. Portugal, tal como Itália, é um caso à parte na Europa do Sul. Apenas estes dois países chamam Drs. aos seus licenciados. Em Espanha, e sei-o bem, pois vivi em Madrid durante cinco anos, um licenciado nunca é um Dr., pois um Dr. tem que ter obrigatoriamente um doutoramento. Assim no costume e prática portuguesa apenas os médicos e advogados teriam direito a este tipo de tratamento, todos os outros seriam licenciados em …, e alguns dos mais velhos, são bacharéis, título académico muito antigo e com muita tradição na História de Portugal.

*O autor não adopta o acordo ortográfico vigente.


 

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