Imaturidade

Por Sónia Parente

Quem trabalha com crianças e pré-adolescentes, por vezes, interroga-se: ‘por que razão são eles cada vez mais imaturos?’, isto é, existe frequentemente um desnível entre a idade cronológica e o seu comportamento.

Esta imaturidade revela-se na pouca autonomia para a sua idade, na grande impulsividade, na falta de concentração e de gosto pelos estudos, na baixa resistência à frustração (ouvir não), num estilo de relacionamento com os pares marcadamente egocêntrico, na dificuldade em realizar atividades/brincadeiras em grupo e numa grande competitividade e rivalidade entre os pares.

Estas crianças e jovens agem por impulso, sem controlo ou crítica interna, os limites têm de ser impostos constantemente pelo exterior, é uma obediência automática e não mentalizada.

O excesso de gratificação e a ausência de limites bem definidos, nesta geração do “quero, posso e mando”, que não sabe lidar com a frustração, leva às birras, aos protestos e às tentativas de manipulação dos outros. Tudo lhes é devido e pouco lhes é negado e quando tal não acontece, chega-se facilmente a conflitos e brigas entre colegas.

Alguns dos fatores que contribuem para essa, cada vez mais frequente, imaturidade são: a superproteção dos filhos associada aos medos próprios da sociedade atual, os adultos inseguros, o filho único ser cada vez mais frequente, a tentativa de compensação da falta de tempo dos pais. As angústias transbordantes dos pais paralisam o crescimento dos filhos.

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É essencial adequar os cuidados parentais às diferentes fases do crescimento para evitar infantilizações tardias. Desde o início da sua vida que a criança deve viver as suas responsabilidades, o amadurecimento deve ser estimulado. A tendência das crianças é para o crescimento e desenvolvimento, tal como as plantas se viram para o sol para crescerem, os pais devem estimular o crescimento dos filhos, contendo as suas angústias, serenando-os através do apoio e contenção dos medos.

Somente após lograr o amadurecimento afetivo, os jovens conseguem a maturidade mental que proporciona um aumento da concentração e melhora as suas competências nos estudos.

Num contexto social exigente, o seu futuro depende das experiências e das decisões que os pais tomam hoje. Que pessoas estamos a formar?


Sónia Parente é psicóloga clínica

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