José Avillez – as raízes ereirenses de um Chef com estrelas Michelin

Considerado das grandes referências da nova cozinha em Portugal e de grande sentido empreendedor, José de Avillez Burnay Ereira nasceu em 1979 mas no currículo de sua vida tornou-se apenas conhecido por José Avillez. Filho de José Burnay Nunes Ereira, licenciou-se em Comunicação Empresarial e, nos começos da sua actividade profissional, trabalhou em restaurantes, privando de perto com a conhecida figura dos primórdios da TV, Maria de Lurdes Modesto, de quem se tornou amigo, acabando por se lançar na abertura dos seus próprios restaurantes, ganhando prémios, escrevendo livros e participando em programas de televisão.

José Ereira, trisavô de José Avillez, a única foto que se conhece e que foi cedida à Revista “Sábado” pelo site Restos de Colecção de José Leite

José herdou o sobrenome Avillez da parte da mãe, aristocrata, e o Ereira da parte do pai, um legado do seu trisavô José Nunes, que acrescentou ao nome o nome da terra donde era natural, uma tradição onomástica antiga, marcando assim na vida o nome da sua aldeia, a Ereira, no concelho do Cartaxo, quando se foi instalar em Cascais com um armazém de vinhos. A irmã Engrácia terá casado com o dono da mais próspera mercearia da vila, situada em frente ao armazém de vinhos. E os Ereiras subiram na vida. Cascais, em finais do século XIX, abria-se ao turismo. A família real dá o tom e arrasta a nobreza e a alta sociedade para essa nova estância de veraneio. O negócio prospera. Compra uma Quinta que ao domingo abria aos trabalhadores e onde vendiam de quase tudo. O filho Joaquim herda os negócios, diversifica e funda o primeiro cabaret de Lisboa, o “Maxim’s”, que se instala no Palácio Foz. Explora uma casa de jogo em Cascais e numa sociedade explora o jogo nascente no Monte Estoril, criando a Sociedade Estoril Plage que arrenda com o direito à exploração do jogo no Estoril, onde se veio a fundar o Casino.

Com a dinâmica empresarial da família e o enriquecimento que isso proporciona, os Ereiras são agora presença constante na alta sociedade, vindo um descendente a casar com uma Burnay, não sem que antes tivesse de derrubar algumas contrariedades, mas o dinheiro ajudava a esbater as desigualdades de “linhagem”. O rei D. Carlos, amante de caçadas, passou a frequentar a Quinta onde abundavam as galinholas, que ele chamava “bicudas”. E a Quinta passou a chamar-se “Quinta da Bicuda”, hoje um condomínio de luxo que ainda tem à entrada a capela de S. José, mandada construir pelo Joaquim Nunes Ereira. Por isso Cascais, agradecida, colocou na toponímia o seu nome e José Avillez fez acrescentar ao nome do filho o apelido Ereira como tributo às suas raízes paternas. (Fonte: Revista “Sábado”, Nº682)


Rogério Coito é historiador e escreve segundo a antiga ortografia, este texto foi publicado na Revista DADA nº70, edição impressa de outubro de 2017.

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