José Caria Luís apresenta o seu primeiro livro no Centro Cultural

O livro “Degraus e Marcas da Vida” retrata histórias e costumes das gentes ribatejanas e foi apresentado no Centro Cultural, em janeiro de 2014

O livro “Degraus e Marcas da Vida” retrata histórias e costumes das gentes ribatejanas e foi apresentado no Centro Cultural, em janeiro de 2014.

O seu trabalho na construção civil levou-o a correr mundo. Noutras latitudes o seu nome, José Caria Luís, tornava-se de difícil pronúncia: ZéKarias, era o que resultava no final. Assim ficou como pseudónimo literário adotado para assinar o seu primeiro livro, “Degraus e Marcas da Vida”, lançado no início deste ano no Cartaxo.

Natural de Vale da Pinta, José Caria Luís vive há longos anos no Porto, mas faz questão de frisar que o “cordão umbilical continua ligado à terra natal”. Elvira Melo, convidada a apresentar a obra, revela-nos que o autor nos conta “histórias à volta de figuras populares da terra, acontecimentos sociais e até rivalidades provincianas, que marcaram a vida local entre as décadas de 20 e 60” do século passado. Quem ouve José Caria Luís percebe que este livro era inevitável. O autor regista na memória pequenos acontecimentos do dia a dia e é capaz de os transformar numa história que conta apaixonadamente. Vamos então dar-lhe a palavra.

Apresentacao do Livro Degraus e Marcos da Vida

Mostrou-se muito à vontade no lançamento do seu livro. Como se sente na pele de escritor?
Comparando os ambientes, algo truculentos, por que passei durante os muitos anos em que exerci a minha atividade profissional, com as suaves duas horas no decurso do evento, não me poderia sentir melhor. Como escritor, tenho absoluta noção dos passos que dei e que tenho a dar para poder sentir-me como tal. Devido ao adiantado da idade, é bem possível que nunca chegue a atingir tal epíteto, mas isso também é coisa que não me obceca. Sempre fui simples e quero continuar a sê-lo.

Como lhe surgiu a ideia para este livro?
Durante muitas décadas, sentia-me como um fiel depositário, que tem a ingrata tarefa de armazenar os episódios que observa e vive dentro desta esfera da população, a que chamamos povo. Mas isso, só por si, não me bastava. Era preciso dar vida àquelas cenas. Para tal, melhor não havia do que passar da mente para o papel, todos aqueles acontecimentos. E como eu sempre disse a toda aquela gente, que comigo trabalhou e conviveu, que um dia me iria expressar em termos gráficos, contando quase tudo o que me ia na mente, aqui estou a dar cumprimento ao prometido.

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Foi uma tarefa árdua, ou escreveu-o de seguida?
Além de um ou outro tópico que fui anotando ao longo dos anos, posso dizer que toda a obra foi escrita de seguida. As minhas visualizações das estórias que compõem o livro, nunca deixaram de estar presentes.

Teve uma vida muito preenchida, com viagens e trabalhos no estrangeiro. A escrita é uma forma de continuar a viajar?
Quando me ponho a escrever, abstraio-me do mundo que me rodeia. Podem fazer os ruídos que quiserem à minha volta, que o fio condutor entre a mente e as teclas, passando pelos dedos, não sofre quaisquer intermitências. Conforme vou escrevendo, vou vivendo cada frase, cada parágrafo, como se estivesse lá. Por vezes dou comigo a rir ou a chorar, conforme o mote. É claro que estou a escrever uma espécie de autobiografia, se bem que mais abrangente, mas em que tudo é real. Neste formato, levo tudo ao correr da pena, porque, no caso da ficção, creio que, sem silêncio, não será fácil obter a necessária inspiração.

Como reagem ao seu livro os retratados nas histórias que conta?
De um modo geral, reagem bem. Também eles estão a reviver tempos idos, irreversíveis. Os bons momentos serão para embevecer, os maus, nunca serão esquecidos.

Alguém não gostou de se ver retratado?
Houve e não houve. O que quero dizer é que antes de ultimar o trabalho, tive o cuidado e a sensatez de falar com algumas dessas pessoas, cujos nomes estavam escarrapachados em certos textos. Uns deram o seu aval, outros, ao contrário, repudiaram a ideia. Neste último caso, resolvi que melhor seria rasurá-los e não arranjar problemas. Mas, no fundo, nem sequer concordei com aquelas recusas. Se eu sou um dos mais “sacrificados” da história e deixei lá o meu nome bem patente, não vejo razão para que alguns não tivessem anuído. Quando digo que não houve, foi porque arrepiei caminho, rasurando.

Continua a considerar-se cartaxeiro?
Continuo a considerar-me cartaxeiro, sim. Até direi mais: acho que mais bairrista que eu não existe.

 

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