Las Vegas do Ribatejo

Opinião de Frederico Guedes

Sem dúvida que uma das décadas mais marcantes do nosso século foi a dos Anos 80, onde ainda, nos dias de hoje, continuam muito em voga as festas, com os seus hits da altura, nos bares e discotecas que vão existindo na região. Houve nesses anos um grande “boom” no Cartaxo, quando foram inauguradas várias casas do ramo, as quais traziam muitas centenas de forasteiros à nossa Terra, ao ponto da sua fama atingir o apogeu de ser designada Las Vegas do Ribatejo.

Na passagem de ano da despedida dos anos setenta, era inaugurada a discoteca Horta da Fonte, num espaço onde existia a Eira (antiga casa de fados e de música portuguesa ao vivo) e que viria a fazer grande furor, ganhando rapidamente uma grande notoriedade na noite cartaxeira. Com a gerência, desde o primeiro dia, de António Franco (Tony), manteve-se ao longo destes trinta e cinco anos com uma gestão idónea e de bom gosto, com um jardim deveras agradável num espaço amplo e com música, sempre a divulgar os principais géneros musicais. Recordo-me das primeiras noites após a sua inauguração (tenho em posse o primeiro convite da casa), onde a entrada só era permitida a casais, não se podia entrar com sapatilhas e onde o Dj Fernandinho, no seu pick-up, ia alternando os singles e os lp´s nas rotações devidas, baseados nos primeiros passos do rock português e na música dos top´s internacionais. Os momentos altos da noite eram quando chegavam os slows, onde a adrenalina disparava e mesmo os mais tímidos escolhiam o seu par, no género baile, onde se questionava a menina dança, com o receio de levar uma “tampa” sempre presente.

Com o passar dos anos esta casa tornou-se num dos maiores ícones dos espaços noturnos do País, pois o sucesso das suas festas com largas filas á entrada aos fins de semana, deu origem a que fosse inaugurada a Horta 2, no Algarve (entre as cidades de Lagos e Portimão), com o sócio gerente Luís Filipe Coelho, num grandioso espaço, muito aprazível, inserido numa casa imponente, apalaçada, com piscina e um lago nas suas traseiras, sempre com casa cheia.

Depois com a mesma gerência veio a abertura do Coice da Mula, um bar com uma decoração interior estilo Luís XV, com um restaurante no 1º piso, na praça central da cidade, um verdadeiro ex-libris num local com História, pois o seu nome era consequência de ali existir uma taberna nos tempos das Invasões Francesas, onde a sua proprietária era uma grande patriota, pois possuía, nas traseiras da casa, uma mula que dava uns coices mortais aos soldados franceses que já estivessem embriagados.

Pouco tempo depois é inaugurada, em 1984, a discoteca Lipp´s, através da gerência de José Reis, outro espaço noturno muito bem idealizado com todas as condições para passar uma noite agradável, seguindo-se a abertura da discoteca Vai de Rastos (Sai de Gatas em tom de trocadilho) e, mais tarde, a da Concorrência, em Pontével, nome dado pelo seu gerente, João António, tal era o número de casas do mesmo ramo a funcionar no concelho.

Depois em dimensão mais reduzida, mas sempre com casas cheias de “bons vivants”, havia as pequenas discotecas com os seus espaços reservados para festas temáticas ou para as chamadas matinés, como a Sunny, a Atlantis, o Xeque-Mate ou a El’Fantus.

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É claro que se notava um fervilhar de forasteiros que dinamizavam, em muito, a economia local, principalmente nos restaurantes, e que deu origem à abertura de muitas casas do ramo, que originavam umas largas dezenas de empregos.

Nos bares tenho que destacar o Quo Vadis, agora apelidado de 3ª geração, com a sua decoração típica e agradável que continua, nos dias de hoje, a ser um ícone da noite cartaxeira. Em seu redor havia o Carlos Bar e o Classic, sendo que, nessa década, as opções eram mais que muitas pois a Baiuca, a Cave, o Oásis e o Pielas (bar na Ereira sempre com música ao vivo e um ambiente divertido) eram sempre alternativas aos notívagos, antes de irem para as discotecas, que com tanta oferta vinham de todo o lado às famosas termas para curar o fígado, especificamente de lá para… Cá.


 

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