Lutar pelo que está certo

Por Ricardo Magalhães

Encontro-me a realizar um Doutoramento em Engenharia Mecânica no Instituto Superior Técnico. Tipicamente a pausa para almoço no meu dia de trabalho é passada na cantina social universitária. Embora haja uma oferta diversificada dentro e em redor do campus do Técnico, a cantina é sem dúvida o local onde conseguimos encontrar uma refeição completa ao melhor preço, mantendo uma qualidade razoável.

Na semana passada, encontrava-me a almoçar com um colega meu de Doutoramento, quando somos interpelados por um par de estudantes do Técnico. Eles eram ainda alunos de Licenciatura e encontravam-se a recolher assinaturas para lutar contra o aumento do custo do prato social. Por prato social entenda-se a refeição que nos é servida na cantina.

O prato social é uma refeição completa a preço acessível, para o qual a Universidade comparticipa o restante custo real. Este ano letivo o preço para os estudantes passou de 2,80€ para 3,00€. A recolha de assinaturas visava manter o preço em 2,80€, à semelhança do que (diziam os nossos colegas estudantes) conseguiram em Coimbra.

E é aqui que chega a grande reflexão desta crónica. Sensibilizou-me ver colegas tão novos a mobilizarem-se por questões sociais e da vida comunitária, assim como a conversa que troquei com eles a dar-lhes uma perspetiva mais alargada (que sempre existe) sobre aquilo por que estão a lutar.

É que no mundo tudo anda de mãos dadas. Existe sempre um todo, que a gente só trabalha em parte. E se é verdade que um custo reduzido do prato social é importantíssimo para a alimentação de uma comunidade estudantil universitária sob um esforço financeiro muito elevado, também é verdade que o custo reduzido do prato é financiado com os recursos financeiros de uma universidade sub orçamentada.

E de onde vêm a maioria desses recursos financeiros? Do Estado. E quem é que financia o Estado? Os contribuintes. E quem são os contribuintes? Somos todos nós. Ou seja, ainda que numa ótica redistributiva, o preço acessível do prato social é financiado por todos nós. Assinei a petição porque entendo que aqueles alunos estavam a lutar por aquilo que está certo para a sua comunidade. Assim como os médicos ou os professores o estão a fazer, com custos para todos.

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É também destas dinâmicas que se faz a política e a vida em comunidade. Uma roda contínua de lutas reivindicativas e esforços políticos para lhes dar resposta.

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