Marquês de La Romana

Crónica de Rogério Coito, Historiador

 

No teatro das guerras que se instalaram na Europa com as invasões napoleónicas nas quais Portugal tanto sofreu e que a série da RTP1 “As Linhas de Torres”, baseada no filme “As Linhas de Wellington”, recriou alguns aspectos, houve um acontecimento marcante com um grande de Espanha a que o nome do Cartaxo ficou para sempre associado. A morte prematura do 3º Marquês de La Romana.

Homem instruído e culto, apreciador de antiguidades, militar prestigiado, fez uma expedição à Dinamarca com quinze mil homens e acabou por fazer parte do exército de Napoleão. Mas neste contexto de alianças e intrigas muita coisa aconteceu. Dizem que depois de reconhecer o irmão de Napoleão no trono de Espanha, muitos soldados se rebelaram contra o seu comando. Sabe-se que em Março de 1810 está em Portugal para falar com o comandante inglês e a partir daqui nasce uma grande estima e admiração ente ambos e um grande aliado na Península Ibérica contra Napoleão.

D. Pedro Caro y Sureda tinha cinquenta anos e faleceu a 23 de Janeiro de 1811 devido a doença súbita (um aneurisma segundo uns, dispneia segundo outros) quando se encontrava no quartel-general do Cartaxo. Nessa altura ocupava o cargo de capitão general dos Exércitos Reais e era o chefe do 5º Exército em campanha.
Quando houve conhecimento da sua morte Sir Arthur Wellesley, mais tarde duque de Wellington, compareceu no Cartaxo como prova de apreço que sentia por aquele nobre espanhol. Pouco depois os seus restos mortais foram conduzidos por um carro de artilharia puxado por oito cavalos para o cais de Valada e daqui de barco para Lisboa onde após as cerimónias fúnebres no Mosteiro dos Jerónimos e de lhe terem sido prestadas todas as honras militares seguiu para Palma de Maiorca onde foi sepultado no Convento de S. Domingos. Mais tarde foi transladado para a capela dos Suredas na catedral, num mausoléu construído com a arte do escultor José António Folch, que está classificado como uma das obras mais importantes da arte tumular de todo o século XIX.

 

Foi nesta casa situada na Rua Mouzinho de Albuquerque, (antiga Rua Direita) no Cartaxo que esteve instalado o Quartel-General de Sir Arthur Wellesley, mais tarde Duque de Wellington, grande estratega na Guerra Peninsular e a quem ficou a dever-se a construção defensiva conhecida pelas “Linhas de Torres”.

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