Mas afinal os jovens votam ou ficam em casa?

Opinião de Ricardo Magalhães

A “geração mais europeísta de sempre”. É assim que a nova geração de jovens adultos europeus tem sido apelidada. No entanto, a verdade dos números mostra que nas eleições europeias de 2014 foram quebrados novos recordes de abstenção (81% para jovens entre os 18 e os 24 anos). Perguntei então a 35 jovens desta faixa etária se pretendiam votar nas eleições de 26 maio e o porquê de o fazerem.

Embora a minha amostra estatística seja pobre e digna de deixar qualquer matemático com os cabelos em pé, recolhi com ela informação suficiente para percebermos algumas das razões que vão na cabeça de um jovem quando decide exercer o seu direito de voto ou, pelo contrário, abdicar de o fazer. Antes de mais, a boa notícia: 26 inquiridos (74%) disseram que pensavam ir votar e apenas 9 (26%) afirmaram não o ir fazer. Apesar da invalidade estatística deste “estudo”, olho para estes números com a esperança de que o crescimento nos últimos anos de extremismos políticos, populismos, ameaças à democracia e o episódio do Brexit tenham servido para mostrar aos jovens que a defesa dos valores europeus é uma necessidade real, nomeadamente através do voto.

A fração dos jovens candidata à abstenção justifica-o com o desconhecimento generalizado que diz ter da política. “Não percebo nada disso”, ouvi dizer alguns deles. Queixam-se de haver pouca exposição das eleições europeias na comunicação social e não sabiam inclusive em que dia iam ocorrer. Toda esta escassez de informação degenera numa falta de interesse na política europeia que faz com que não tenham a iniciativa de procurar inteirar-se das alternativas existentes antes das eleições. Uma coisa é certa, dizem não querer votar no que não sabem.

Já os argumentos a favor da participação eleitoral são mais variados. Para estes jovens votar não só é um direito como um dever. É uma forma de expressarem os partidos ou candidatos com cuja visão para a Europa e o país mais se identificam. “Houve muitas pessoas que se sacrificaram para hoje podermos votar”, dizem. Valorizam o exercício de uma cidadania ativa, o combate à abstenção e procuram não deixar em mãos alheias o futuro das suas vidas. Afirmam que quem não vota não tem direito de se queixar do que está mal e, por isso, garantem querer votar, sempre de forma consciente e informada, nem que seja em branco como forma de protesto. Contudo, não deixam também eles de lamentar a falta de informação que lhes chega sobre as eleições europeias e revelam ter ainda que fazer a sua pesquisa antes do dia das eleições.

Desta forma, a conclusão que retiro é que a comunicação social e os partidos políticos têm que ter muito mais brio na qualidade da informação que fazem chegar aos cidadãos. E que estes últimos deviam de uma vez por todas assumir um discurso eleitoral europeísta, em vez de estarem constantemente a extravasar guerrilhas nacionais para onde não são chamadas.

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*Artigo publicado na edição de maio do Jornal de Cá.

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