O mundo na mão (?)

 

“Invictamente”, por João Fróis

joao froisO mundo está maior? Está mais violento que há anos atrás? E o clima enlouqueceu mesmo? A economia colapsou?

Estas são apenas algumas das muitas perguntas que colocamos todos os dias ou que nos são trazidas pelo imenso mundo virtual que nos inunda de informação.

É incontornável que vivemos hoje imersos em informação. Chega-nos de todos os cantos deste mundo que parece agora bem mais pequeno que há alguns anos atrás. A ideia de aldeia global tornou-se viral, a exemplo de tantas outras ideias que a web glorificou. Sentimo-nos mais parte de um mundo que ainda não compreendemos mas do qual temos várias ideias formadas. Se antes víamos do mundo o que as televisões e jornais nos traziam em “slow motion”, vemos agora tudo, num ápice, o que a imensa rede digital mundial nos pode dar e, pasme-se, a dimensão dos conteúdos supera qualquer estimativa de grandeza mensurável.

Queremos saber algo? Vamos à internet. Ou ao Google, que já mereceu ser incluído entre as novas palavras no dicionário. O famoso motor de busca, entre tantos outros, ganhou vida nos dedos de milhões e a quantidade de informação que veicula é aberrante. Este novo “homo digitalis” parece ter vindo definitivamente para ficar. Será?

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Pelo mesmo canal ficamos a saber que já há tendências de fuga às radiações das telecomunicações que inundam os meios urbanos com redes wi-fi e nos deixam expostos a riscos que ainda não conhecemos verdadeiramente. Assim como a uma nova tendência de voltar a usar os velhos telemóveis, antes da era “smart”, usados para o simples acto de falar. Sim, comunicar por palavras, exprimir emoções, partilhar ideias, trocar experiências… algo tão aparentemente normal mas que se tornou obsoleto.

E que dizer da publicidade que agora glorifica e defende a amizade? Que mostra imagens de pessoas a conviver, a divertirem-se e a disfrutarem do prazer da mútua companhia. Mas não foi sempre assim? Ou as pessoas deixaram de conviver? De estar juntas e se encontrarem? Dá que pensar, no mínimo. Não sendo certo que nos estejamos a tornar reclusos do virtual, a realidade parece demonstrar que as pessoas estão mais conectadas com as redes sociais em ambiente virtual do que verdadeiramente umas com as outras. Mas a nossa natureza é de contacto, de comunhão e partilha, de vivência de experiências reais, em ambientes reais. Os mesmos que são partilhados profusamente nas redes mostrando a quem nos quiser ver, que somos pessoas reais e temos vidas mundanas. Mostra-se o que se faz a pessoas com quem não fazemos! Paradigmático e intrigante, sem dúvida.

Vejo tudo isto como algo ainda demasiado novo para poder ser entendido na sua real dimensão. Desde o surgimento do famigerado facebook, há 10 anos atrás, que o mundo mudou. Pelo menos na perspetiva de cada um de nós sobre o mundo lá fora. Mas muito mais irá mudar e certamente que os ritmos de agora serão renovados e transformados em cenários diferentes, com novos conteúdos e abordagens e certamente, novos canais de transmissão de informação. No essencial, as pessoas irão mudar com as teias de informação mas também as vão alterar, com as suas escolhas, modas e tendências. Tudo se tornou efémero na web e essa característica atropela o desejo umbilical de aparecer aos olhos no mundo através de uma “selfie”, como que a dizer, “estou aqui” e existo!! Será que precisamos dessa anuência virtual, de pessoas um pouco por todo o lado, no conforto da distância, para nos sentirmos “parte” deste novo mundo? Questões que cabe a cada um de nós responder. Porque, a exemplo das velhas perguntas de como vai estar o tempo?, agora toda a gente sabe que «nos próximos dias vai estar sol mas apenas até dia x porque depois já volta a chuva»… Até o clima já está domesticado pela imensa sabedoria da web. As suas inconstâncias foram apaziguadas pela informação certeira das previsões cada vez mais fidedignas trazidas pelas milhentas “apps” que nos dizem tudo sobre qualquer coisa!!

Curiosamente só ainda não nos dizem o futuro. Que desconfio, será bem diferente do atual, com uma utilização dos ambientes virtuais bem menos esquizofrénica do que nos dias de hoje.

Os velhos ritmos sociais irão voltar em força pela necessidade básica da partilha e comunhão em espaço aberto, do mais elementar do ser humano: socializar!

O mundo irá continuar a evoluir, complexo e cheio de acontecimentos que não dominamos. Será que desejamos ser dominados por eles? Ou iremos preferir olhar para os nossos “pequenos grandes” mundos, de família e amigos, e tratarmos de ser felizes? A opção existe. Faça as suas, tome as melhores decisões e viva em pleno. A web e as suas redes podem esperar!!


 

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