Nacionalismos vs Independências

Opinião de Jorge Honório

Nacionalismo! Autonomia! Independência! São conceitos e realidades diferentes que afectam a nossa vida. As nações são eternas, os Estados não. A autonomia conquista-se e reforça-se. E quanto à Independência? Novas fronteiras?

Passaporte? Novo Serviço Nacional de Saúde? Novas Forças Armadas? Novas Forças de Segurança? Uma nova Moeda? Muitas questões e poucas respostas concretas, muito coração e pouca cabeça. Um salto no escuro!
A fragmentação de um qualquer Estado arrasta a sua perda de influência política, económica e militar, a sua voz terá menos peso internacional. Numa Europa onde os nacionalismos e independentismos voltaram a ganhar força, a experiência escocesa, se bem-sucedida, serviria de alento a outras regiões: estaríamos a mexer num enxame de vespas!
E o que aconteceria se uma destas regiões se tornasse um novo Estado? A posição oficial da União Europeia (UE) é clara este respeito: se parte de um território de um Estado-membro deixar de fazer parte desse Estado, os tratados europeus deixarão de se aplicar a esse território, isto é, esse território (agora um novo Estado) deixará de fazer parte da UE. Para voltar a fazer parte da UE, esse novo Estado terá que solicitar a sua adesão, o que requer o apoio unânime de todos os membros da União, mesmo daquele de quem se separou, O que não será fácil de conseguir: Reino Unido, Espanha, Bélgica, Alemanha, …, Estados com problemas internos semelhantes, nunca votariam favoravelmente.
Em suma, é opinião unanime, internacionalmente, que temos de aproveitar este momento e reforçar as autonomias, dignificar as nações. Tudo bem! Mas atenção: a prosseguirmos na senda da desagregação, dos nacionalismos exacerbados, a grande maioria dos Estados europeus agravará as suas debilidades, ficará ainda mais à mercê dos fundos de investimento mundiais e do poderio militar USA, continuará de mão estendida.
Não há dinheiro barato, nem benesses de borla, nem almoços grátis!

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