Natal, do latim “Natális”

Por Matilde Cunha

Há quem não o celebre, há quem celebre com muitas prendas e quem celebre sem sequer acreditar nas lendas que envolve. Cada religião celebra à sua maneira, uns com pinheiros, outros com luzes, outros com flores. A verdade é que o Natal é celebrado há muitos milhares de anos!

Comecemos por explorar um bocadinho do que acontece pelo mundo: na Índia, por não haver pinheiros, enfeitam-se bananeiras ou mangueiras; no Japão, a sobremesa mais comida na consoada é bolo de chocolate coberto com chantilly. Na Finlândia, é costume visitar-se nos cemitérios aqueles que já partiram, enquanto que na Islândia os “meninos mal-comportados” recebem legumes podres como presente. Em Itália, acredita-se que pode ser uma bruxa a trazer os presentes e na Noruega escondem-se as vassouras para evitar exatamente que não sejam bruxas a trazer as prendas. Em Portugal, já sabemos como é e não diferencia muito de casa para casa: monta-se o tradicional pinheiro com luzes e alguns enfeites, põe-se a coroa de Natal na porta, junta-se o presépio, decora-se a mesa para as refeições dos dias 24 e 25 e compram-se os presentes.

Ora, a compra dos presentes pode chegar mesmo a ser a altura mais difícil do Natal. Fazem-se listas, corre-se aos centros comerciais (que por norma se encontram a abarrotar), e compram-se prendas para avós, pais, tios, primos, vizinhos, amigos, entre tantas outras pessoas que nos são especiais. A verdade é que o consumismo desmedido em que resulta a época natalícia pode mesmo ser visto como uma preocupação, uma vez que damos tanta ou mais importância ao “dar e receber presentes” como a receber amigos e família nas nossas casas, celebrando aquele que é (ou deveria ser) realmente o espírito de Natal.

Questionamos, consequentemente, se estamos a fazer as coisas corretamente. Compras, compras e mais compras. O Natal são só compras? Natal deve ser a festa da família, uma altura em que nos sentimos menos sós, com boa disposição e alegria, rodeados daqueles que mais gostamos.

Este ano, e numa altura em que se torna propícia, sugiro uma reflexão da maneira como estamos a viver o Natal e de como encaramos esta época. Estamos a ser bons uns para os outros? Não estaremos a incutir nos mais novos a necessidade de pedir apenas bens materiais, quando os incentivamos a escrever ao Pai Natal? Será que receber um brinquedo de última geração é mais importante do que receber um abraço, ou do que relembrar a importância do respeito pelos outros?

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A falácia

Diego

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Neste Natal, o meu desejo é que todos possam dar aquilo que realmente importa que seja dado: amor, carinho, compreensão, afeto, calor, abraços, e que tudo isto se repita, de igual modo, em 2019. Porque o Natal é muito mais do que presentes embrulhados e torna-se muito mais especial quando damos luz àqueles que mais necessitam.

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