No bicentenário do concelho – uma breve nota em jeito de homenagem

Por Rogério Coito

O Cartaxo assinala, em 2015, os duzentos anos da criação do concelho. Foi a 10 de Dezembro de 1815, estando a Corte no Brasil, que um alvará com força de lei assinado pelo Príncipe Regente D. João, futuro rei D. João VI, determina a desanexação de Santarém, após anos e anos de petições e queixas. Um desejo de todos, um esforço de muitos.

Para que só neste espaço temporal se tenha conseguido alcançar tal desiderato muitos contributos foram dados todos lembrando o desenvolvimento e a legitimidade da pretensão. Mas a situação sofrida pela população durante a 3ª invasão francesa com as tropas de Massena em Outubro de 1810 fugidas à derrota no Buçaco, paradas nas Linhas de Torres e obrigadas a procurar a rota de Santarém a fustigarem selvaticamente o Cartaxo, talvez não tenha deixado a Corte indiferente. Uma devastação com roubos, incêndios e pilhagens e perto de uma dezena de pessoas executadas na praça pública como nos dá conta o pároco num dramático relato da ocupação e o descritivo alemão in “On the road with Wellingtton”. Talvez também a influência de um amigo dilecto de D. João com um ramo familiar no Cartaxo, Francisco José de Sousa Lobato casado com Mariana de Barros Leitão Carvalhosa irmã do 1º visconde de Santarém açafata da rainha D. Maria I que acompanhou a Corte para o Brasil e veio a ser agraciado com os títulos de barão e visconde de Vila Nova da Rainha, tenham sido suporte para decisão.

Uma das primeiras medidas dos homens que receberam a incumbência de instalar o concelho foi estabelecer os símbolos do Poder Local com a criação da Casa da Câmara e no Largo fronteiro a edificação do Pelourinho como símbolo da autonomia. A Casa da Câmara foi uma adaptação de um edifício mandado construir no século XVI por Rui Teles de Meneses, mais tarde quartel da GNR e teve como primeira governação em 1817, Dâmaso Xavier dos Santos na presidência, lavrador e cavaleiro da Ordem de Cristo, coadjuvado por Bernardo António da Silva Freire e João Alves Seabra e como Procurador, delegado às Cortes, João Bernardo da Fonseca Tavares. O Pelourinho feito em pedra de lioz, uma coluna oitavada com ornamentos foi mandado construir em 1816 durou até que o camartelo do progresso o derrubou. As pedras estiveram ao abandono durante muitos anos, entregues à voracidade de quem as quis levar, até que as que restavam foram incluídas numa remodelação da Fonte do Hospital.


Rogério Coito é historiador e escreve segundo a antiga ortografia, este texto foi publicado na Revista DADA nº58, edição impressa de outubro de 2015


Fotos em destaque: à esquerda, desenho reconstrutivo do Pelourinho do Cartaxo feito pela arquitecta Mafalda João in “Cartaxo – No cruzar dos tempos”. À direita, casa onde esteve instalada a primeira Câmara Municipal do Cartaxo. Aguarela de José Estrela.

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