No mundo das mensagens

Opinião de Miguel Ribeiro

Hoje, com todas as tecnologias de que dispomos, grande parte da nossa forma de comunicar é por mensagens. São os chats, comentários, posts ou sms. Essas mensagens, quando são transmitidas, têm o significado que o seu autor lhes deu, e podem ter vários outros, consoante quem as lê.

Vamos imaginar que compramos o mesmo livro que um amigo(a) nosso(a). Ao lermos o livro, imaginamos o que o autor nos quer transmitir com a sua história. Vamos imaginar que a história do nosso livro tem um herói e um vilão.

A maneira como imaginamos o cenário dessa história é sempre diferente. Isto, porque depende da interpretação que façamos da história e o que “pretendemos” entender do que estamos a ler. Podemos, por exemplo, imaginarmo-nos na história do autor, na pele do herói ou na do vilão… Ou nem fazendo parte da história.
Neste Novo Mundo de constante troca de mensagens, isso pode ser algo complicado em termos sociais. Quantas vezes escrevemos algo com um sentido diferente daquele que é entendido por quem lê? Por vezes, até pode ser positivo, pois o entendimento da outra pessoa sobre a nossa mensagem foi melhor do que aquilo que queríamos transmitir.

Seja como for, a falta do “contacto humano” é um problema.
Podemos obter e gerar emoções que não são reais e conversas descontextualizadas, que podem gerar conflitos e enganos, e a sociedade vai ter de melhorar em relação a isso.

Sendo tudo muito recente a nível de tecnologia, é de esperar que estes “erros” da sociedade aconteçam. Devemos, pois, ser tolerantes.

Mas não nos devemos deixar de consciencializar em relação aos perigos.
Em 2012, e depois novamente em 2014, uma máquina chamada “Eugene” conseguiu enganar 30 por cento dos júris de um teste online. Neste teste, as respostas eram dadas através de chat, e o júri pensou estar a avaliar um miúdo ucraniano de 13 anos. Três em cada dez seres humanos iriam pensar que estavam a falar com outra pessoa, quando estavam a falar com uma máquina… E é a nossa falta de “contacto humano” que, cada vez mais, vai tornando isso possível. Devemos, por isso, comunicar, estabelecendo o máximo de “contacto humano” possível, sobretudo nas nossas mensagens mais importantes.

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