Nunca há só um caminho

Opinião de Ana Benavente

Na vida nunca há só um caminho. Há quem parta e quem fique, quem se resigne e quem se revolte, há diversos modos de pensar e de viver. Há quem viva só para si e para os seus, há quem se interesse pelos outros. Há quem pense que só conta a nossa vida e quem pense que tanto vale a vida dum pobre como dum rico, dum israelita como dum palestiniano.

Lembram-se daquele célebre poema de B. Brecht em que ele falava, na primeira pessoa, do homem que, na Alemanha nazi, não se importou com a prisão dos judeus porque não era judeu, nem dos ciganos porque não era cigano, e por aí fora, até ao dia em que o vieram prender e não havia ninguém para o defender? Pois é!

No nosso país, vivemos a destruição de serviços públicos que muito custaram a construir, tais como a saúde e a educação. Assistimos ao desmantelamento dos direitos dos trabalhadores e ao aumento das desigualdades sociais. Vivemos um empobrecimento humilhante na rica Europa quando tanto nos custou sair da fome. Vivemos os escândalos de banqueiros sem moral (o dinheiro nunca teve pátria). Vivemos sob as ordens de um governo que todos os dias nos ameaça. Não é verdade que não há alternativas. A dívida “soberana” que todos os dias aumenta por causa da especulação financeira pode muito bem ser renegociada. O governo não o faz porque não quer e porque está às ordens dos poderosos do mundo.

Nenhum de nós pode ignorar o que se passa connosco e à nossa volta. A Europa está cheia de velhas e de novas guerras. A Europa, que tantas promessas democráticas, de paz, de bem estar individual e colectivo despertou em nós, faz agora, sob a batuta da Alemanha, o papel de carrasco. Usando a culpa e o medo para nos dominarem.

Lembrando o saudoso compositor português F. Lopes Graça, com letra de J. Gomes Ferreira, digo-vos ACORDAI enquanto é tempo:
“Acordai acordai raios e tufões que dormis no ar e nas multidões vinde incendiar de astros e canções as pedras do mar o mundo e os corações”. ACORDAI

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