O mundo precisa de mais solidariedade e tolerância

Opinião de Renato Campos

Neste mês de maio somos confrontados com valores e ideais humanistas que nos avivam a memória e tal como “Abril” transmitiu aos portugueses, gostaríamos de igual forma de os partilhar, como nos descobrimentos, com outras terras e outras gentes. Entre eles, os direitos e valores que devem caracterizar uma sociedade mais justa, com iguais oportunidades, tolerante e sobretudo com paz e respeito pela diversidade.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, redigida há mais de setenta anos e só ratificada por Portugal em 1978, estipula no seu artº 1º que:” Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotadores de razão e de consciência, devem agir uns com os outros em espírito de fraternidade”. Porém mostra-nos também que, no quotidiano, quão frágil é a linha divisória entre a paz e a guerra, entre a civilização e a barbárie. A este propósito, ainda numa mensagem recente, o Secretário-geral da ONU apelou para que neste ano déssemos prioridade à construção da paz, mas que não a desejássemos, apenas, para o “nosso quintal”.

Dramaticamente, apesar do discurso político e das propagandeadas ajudas humanitárias, o fosso entre os mais ricos e o resto da população do mundo tem vindo a aumentar e a agudizar conflitos. Nem o desenvolvimento e a globalização vieram, afinal, reduzir as disparidades entre os povos, pelo contrário! Segundo a ONU, cerca de 830 milhões de pessoas no planeta vivem com menos de 2 dólares por dia e mais de 200 milhões estão desempregados, enquanto 21 milhões de pessoas são vítimas de trabalho forçado. Em 2017 a riqueza acumulada pelos mais ricos (equivalente a 1% da população mundial) representava 80% da riqueza mundial!

E isto, inquestionavelmente, é o fermento perfeito de todas as lutas e da instabilidade social. A guerra é uma constante nos países mais pobres, estimulada muitas vezes pelos países que fabricam o próprio armamento (Estados Unidos, Rússia, França e China), contribuindo desta forma para que o mundo vá regredindo na defesa dos valores e da dignidade humana. Infelizmente, tudo isto, torna-o um local cada vez mais imprevisível e perigoso! Apregoa-se que a solidariedade, a tolerância e uma maior coesão social são a melhor garantia para proteger a liberdade, a democracia, e sobretudo a paz entre os povos fruto de um desenvolvimento mais justo e sustentável. Mas não chega apenas invocar valores, há que viabilizá-los na vivência quotidiana.

Crónica publicada na edição de maio do Jornal de Cá.

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