O regicídio de 1908

O rei D. Carlos (1863-1908) e o príncipe herdeiro D. Luís Filipe (1887 – 1908) são assassinados na Praça do Comércio, em Lisboa, na tarde de sábado do dia 1 de fevereiro de 1908.

Na primeira década do século XX vivia-se, em Lisboa, um ambiente de grande tensão, se por um lado haviam ameaças de atentados bombistas (com movimentos revolucionários como a Carbonária), por todo o lado conspirava-se contra o rei e contra o governo de João Franco.

O historiador Rogério Coito, na sua página de Facebook, faz alusão ao regicídio de 1 de fevereiro de 1908 pelo testemunho da Revista “Serões” da direção de Henrique Lopes de Mendonça, desse mesmo mês e ano.

“No confronto de ideias e ações Monarquia/República aconteceu a tragédia de Lisboa.

A família real fora caçar para Vila Viçosa e deliberou regressar a Lisboa no dia 1 de Fevereiro. A partida efetuou-se no comboio das 11h40 mas o comboio ao entrar na estação de Casa Branca, descarrilou e só chegou a Lisboa, ao Terreiro do Paço, pelas cinco da tarde no vapor D. Luís.

Subiram para as carruagens que os esperavam e na primeira, um landau, meteram-se a rainha, el-rei e os seus dois filhos. Ao descrever a curva para entrar na Rua do Arsenal um dos regicidas, o Manuel Buiça, afastou-se de um quiosque que fica dentro da arcada, tirou de debaixo do varino a carabina e sereno, visou D. Carlos.

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Do lado direito da carruagem, outro regicida o Alfredo Luís da Costa subia à capota do landau e desfechava o revólver com a fúria de um iconoclasta que despedaça o seu ídolo. A rainha, estupefacta, pusera-se de pé e com o mesmo ramo de flores que há pouco alguém a saudara quis repelir a agressão. Gerou-se o pandemónio com gritos, tiros e correrias.

Os regicidas foram mortos no local e um desventurado foi morto por engano.

João Sabino Costa natural da Madeira, veio para Lisboa com a mãe, viúva, de quem se tornara o amparo. Empregara-se numa loja na Rua do Arsenal e à noite ocupava-se a ser bilheteiro no animatografo do largo de S. Domingos.

Na tarde do atentado fora jantar às três da tarde. De regresso à loja, concluiu umas cartas que escrevera e declarou ao patrão que as ia deitar no correio no Terreiro do Paço e saiu em cabelo despreocupado.

Desempenhou-se do encargo e vendo aproximar-se as carruagens régias demorou-se um pouco a ver o desfile. Detonam tiros, o pânico instala-se e há correrias em todas as direções. O João corre como os demais. O facto de fugir em cabelo chama a atenção da polícia “É ele gritam alguns”. Quando vai a atingir o vestíbulo da Câmara Municipal é crivado de balas”.

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