O Rio da Fonte

Zelinda Pego | Zelinda Pego

Situada em pleno Ribatejo, é a mais antiga freguesia do concelho do Cartaxo. Ocupa uma área de 27,6 Km2, tem uma população de cerca de 5 mil habitantes. Faz fronteira com Cartaxo, Vale da Pinta, Vila Nova de S.Pedro, Maçussa, Ereira, Lapa, Aveiras de Cima, Vale do Paraíso e Aveiras de Baixo. Edificada num planalto até à Quinta dos Lameiros a caminho da Ereira e até ao alto de S. Gens a caminho de Vale da Pinta, desce abruptamente até ao Largo do Rio da Fonte assim denominado por ali correr o Rio junto à Fonte. O Rio que vai mudando de nome conforme os locais por onde passa, Fonte da Telha, Rio Velho, Nabais, Fontainhas Cadavais, Rio da Fonte e Ribeira de Pontével e vai desaguar à Vala Real.
Esta Fonte, foi construída pela C.M.Cartaxo em 1860, embora Nicolau da Silva Castro, pároco de Pontével em 1758, já tenha mencionado a existência duma fonte junto do lugar, como resposta aos Inventários Paroquiais do Padre Luis Cardoso. Esta Fonte, abasteceu a freguesia até 1981, ano em que a água canalizada foi inaugurada em Pontével; até aí, a água chegava a casa das pessoas em barris em cima das carroças, puxadas por animais, ou em bilhas de barro que as mulheres, transportavam à cabeça, criando-se mesmo a profissão de aguadeira; ou também, em carros de bois carregando tinas ou barris, que levavam a água para regas e para as “lagaragens” (atividade que tinha por fim lavar os tonéis e os lagares na época das vindimas e envasilhamento do vinho).
O rio também teve um papel importante até, mais ou menos meados do século passado, pois ao longo do seu percurso existiam vários moinhos de água, e azenhas que tinham por função transformar o trigo em farinha para depois se fazer o pão, base da alimentação da época; ainda hoje, numa casa no início da Rua Madre Deus, Casa da Levada, é possível ver-se restos de um moinho de rodízio; estes moinhos eram idênticos às azenhas mas exigiam uma maior força de água; foram introduzidos pelos romanos.
Mas o melhor exemplo da arquitetura romana em Pontével, foi uma ponte, que se situava junto ao “Olho” e ligava a zona do Penedo à Rua Madre Deus; era uma ponte em arco de volta perfeita, construída com grandes blocos de pedra, da qual ainda há uma fotografia datada e legendada. Esta ponte, entrou em ruínas nos finais do séc XlX, e foi substituída pela ponte por onde nós passamos hoje, que foi construída em 1911, pela C.M.C ao que consta por influência do sr. Agnelo da Fonseca, residente em Pontével, e vereador na Câmara do Cartaxo.
O rio também regava as várias hortas que existiam ao longo das suas margens, fonte de alimentação da população local. A situação geográfica, a abundância de água e a fertilidade dos terrenos, não teriam sido os responsáveis pela fixação do Homem Pré-Histórico no sítio que mais tarde se chamaria “PONTEVAL”? Convém não esquecer que em 2002/2003, quando da construção da variante E.E.N.N.365-2, foi encontrado material arqueológico da Idade do Bronze, junto a um dos pilares da ponte, tais como, um fundo de uma lareira, um vaso em cerâmica com ossos de caprino, lâminas de sílex e lascas de quartzito. A intervenção foi feita pelo C.E.I.P.H.A.R., tendo sido coordenador, o Dr.L. Oosterbeek, e arqueólogo de campo, o Dr.L.Caron. Assim, podemos dizer que a história de Pontével começa na Pré-História, época em que o homem aqui se fixou e deixou as suas marcas que, orgulhosamente, devemos de divulgar.

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