O teatro em Pontével

Opinião de Zelinda Pego

Embora sem grande informação, afigurasse-me que é ancestral a actividade teatral em Pontével. A necessidade de comunicar, de exteriorizar os seus sentimentos, de criticar a sociedade que o rodeia, leva o Homem à sátira, ao drama e à comédia.

Os pontevelenses não fugiram a esta regra, pois nos primórdios de 1911, já existia em Pontével um grupo de teatro intitulado Grupo Dramático 5 de Outubro que, em 22 de Março de 1911, exibia e “Serração da Velha”, uma autêntica comédia burlesca que, em 60 quadras, criticava a sociedade pontevelense, percorrendo as ruas da então aldeia de Pontével.

Passam os anos e, em 1923, com a orientação de Luiz Naval, que não sendo pontevelense de nascimento, muito se interessou por Pontével, coadjuvado por José Vieira, surge um grupo de teatro, intitulado Grupo Dramático Dr. Marcelino Mesquita que, em 11 e 18 de Novembro de 1923, levou à cena uma comédia-drama, em dois actos, intitulada “O Ferro Velho”.

O guarda-roupa e os cenários eram feitos pelos próprios e a caracterização esteve a cargo de Luís Gonçalves; os espectáculos realizavam-se, geralmente, próximo do Natal e não tinham fins lucrativos, apenas divertimento, visto que só pretendiam que o dinheiro a realizar chegasse para as despesas.

Inicialmente eram representadas numa casa do “Carrapatico”, na Rua do Capelo, à luz do carboreto e mais tarde à luz do petróleo. O espectáculo era constituído por uma peça de teatro e um acto de variedades, cançoneta, terceto, monólogo e um dueto; um sexteto da filarmónica local acompanhava o acto de variedades.

Em 8 de Abril de 1931, surge uma récita de caridade, que interpretam “Flores do Minho” e “Três Gerações”, um original de Ramada Curto; eram ensaiados por António Mesquita, e os cenários eram de Frois Ardison e por um filho de Ramada Curto, Nuno Ramada Curto. Segundo José Manuel Miranda, estas peças eram apresentadas na Antiga Escola Primária e tinham um âmbito restrito, para familiares e amigos, estando sempre presentes Mayer Garção, Ramada Curto, e seu filho, e o Dr. Egas de Azevedo; mas as verbas realizadas revertiam a favor do restauro da Capela de Nª Srª do Desterro.

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Por volta de 1940, o Teatro passa a ser representado da S.F.I.P. que desenvolverei no próximo número.

 

A autora não adota o atual acordo ortográfico.


 

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