Parreira e Oliveira contra dia sem água na cidade

A anunciada supressão do fornecimento de água à cidade do Cartaxo no dia 31 de agosto pela Cartágua, entre as 8h e as 20h, não está a agradar à população nem aos eleitos na Assembleia Municipal do Cartaxo.

O presidente da Assembleia Municipal, Augusto Parreira, e o deputado municipal João Oliveira reagiram com desagrado ao aviso de corte de água durante 12 horas, na próxima segunda-feira.

Segundo a fundamentação técnica da empresa para esta intervenção, prestada por email, no dia 21 de agosto, a que o Jornal de Cá teve acesso, “a Cartágua agendou a realização da referida intervenção para uma data onde existisse menos perturbação na população do Cartaxo, uma vez que o mês de Agosto é, maioritariamente, de férias para as famílias. Consideramos que a suspensão do abastecimento de água à população, a ser realizada no fim de semana, será mais perturbadora para a população em virtude de estas se encontrarem nas suas habitações em maior permanência. Infelizmente, a realização dos trabalhos em causa no período noturno não garantem a segurança dos nossos colaboradores, pelo que não pode ser considerada”.

Esta justificação surgiu em resposta ao presidente da Assembleia Municipal, Augusto Parreira que, por email, alertou a empresa, no dia 20 de agosto, que este corte iria verificar-se “no espaço temporal em que as famílias e as empresas mais precisam desse bem que é a água”.

No mesmo email, Augusto Parreira fazia notar que “não está em causa a necessidade da execução dos trabalhos, que todos podemos reconhecer serem necessários, mas o que qualquer um de nós questiona é a escolha desse horário para a sua execução, podendo, certamente, os mesmos serem realizados no período da noite ou a um domingo, onde os impactos sobre a população seriam seguramente menores”.

Também o deputado na Assembleia Municipal, João Oliveira (PSD/NC), já se pronunciou sobre este assunto, subscrevendo “em absoluto” a opinião de Augusto Parreira.

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Segundo João Oliveira, “dada a intervenção descrita, não encontro justificação plausível para a realização em horário diurno, para mais, num mês que presumo seja de maior capitação diária e mensal acumulada derivado do período de verão (contrariamente ao referido na justificação técnica)”. Além disso, o eleito considera que “a segurança também não me parece justificação válida, dado que é garantida facilmente com os devidos cuidados de iluminação assentes num PSS bem elaborado”.

Desta forma, “considero inadmissível que, à luz dos argumentos levantados, uma cidade fique em pleno verão privada do abastecimento de água durante as 12 horas na qual mais esta é necessária, pelo simples facto de ser o horário financeiro mais vantajoso para a empresa concessionária”, acrescenta.

Segundo a Cartágua, a conclusão dos trabalhos de reparação da conduta adutora de abastecimento à cidade do Cartaxo “é essencial para garantir o abastecimento de água à população, tendo em consideração que a conduta adutora se encontra danificada, assim como diminuir as perdas de água” e não puderam ser realizados mais cedo “devido à situação de COVID-19, uma vez que não recebemos o material e as equipas ficaram em rotação de trabalho”.

A empresa garante que se encontra “a realizar todos os esforços, por forma a minimizar a suspensão do abastecimento à população, nomeadamente na execução de diversas manobras na rede de distribuição, por forma a garantir, no maior período de tempo possível, o abastecimento à cidade do Cartaxo”, realçando, no entanto, que “não é possível à Cartágua garantir o sucesso de tais operações”.

Em contacto com o presidente da Assembleia Municipal, este disse ao Jornal de Cá que deverá propor à empresa o adiamento das obras e a recalendarização das mesmas para uma altura em que não exista tanta necessidade de água, num horário preferencialmente noturno, “como sempre se fez, antes da gestão da Cartágua, e onde seja bem definido o horário para a suspensão do abastecimento da água à população e com soluções alternativas”.

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