Pegada digital

Opinião de João Fróis

400 milhões por minuto. É este o número de mensagens na rede WhatsApp no mundo ocidental onde existem dados sobre este imenso tráfego internáutico.

Vivemos tempos de mudança de paradigmas a vários níveis e a forma como comunicamos é claramente um deles. A necessidade de comunicação é inerente ao ser humano e a revolução digital trouxe novos caminhos para nos relacionarmos e trocarmos todo o tipo de informação. A rede social WhatsApp claramente desenhado para trocas rápidas de mensagens e vídeos entre grupos tornou-se uma moda em países como o Brasil e tem vindo a crescer a um ritmo alucinante. A possibilidade fácil e rápida de se criarem grupos de todo o tipo ajudou a esta adesão em massa. Assim vemos grupos de amigos, de colegas de trabalho, de pais de filhos em pré-escolar e primeiro ciclo, de hobbies e clubes desportivos. A amostragem é imensa e os fluxos de informação ainda maiores.

Esta vertigem comunicacional mostra a apetência natural para estar próximo, num mundo que cada vez mais no separa fisicamente. Já antes da pandemia em que vivemos o afastamento era notório. Gerações a crescerem em casa e não na rua como outrora, ritmos de vida alucinantes e uma insegurança muitas vezes mais importada que real, foram transformando as rotinas e hábitos de todos nós, abrindo a porta a todo um mundo virtual onde fazer chegar uma ideia, uma foto ou uma troca de mensagens qual conversa de café, é simples e hoje em dia eficaz dado as redes de dados suportarem com fiabilidade estas autoestradas de informação.

Se dúvidas houvesse sobre a importância das redes sociais, basta atentar à polémica que nos EUA a rede chinesa tik-tok, tão em voga entre os jovens, assumiu. Naturalmente que os países em causa fazem a diferença pela sua guerra comercial assumida, mas o peso que o virtual tem hoje em dia é já mais que evidente, uma verdade incontornável. Tanto que os políticos, sempre atentos aos fenómenos sociais e aos seus impactos, já as usam profusamente tentando chegar aos eleitores de modo célere e igualmente massivo. Trump deu o mote com os seus tweets polémicos e são raros os líderes que não assumem já uma presença forte nestas redes digitais.

Icónica foi a entrada de Sir David Attenborough no Instagram. O comunicador e naturalista, mundialmente famoso pelos seus programas sobre natureza e vida animal na BBC, com uma simples foto conseguiu que, em poucos minutos, mais de 2 milhões de pessoas o seguissem nesta rede igualmente crescente em fama e uso diário.

A revolução continua. Mas a forma como comunicamos ainda mostra muito dos problemas sociais subjacentes. Redes de ódio, extremismos políticos, ofensas e toda uma toxicidade de ideias e julgamentos, mostram a face negra de uma sociedade fraturada e com enormes clivagens de toda a ordem.

Os próximos tempos mostrarão os novos caminhos da era digital num mundo onde o virtual tem cada vez mais peso. A realidade alimenta-o de forma dramática.

*Artigo publicado na edição de outubro do Jornal de Cá.

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