Perfil – Mário Jordão

53 anos, empresário, casado com Luísa, pai do Henrique e da Matilde. Vive no Cartaxo.

Otimista, solidário e de bem com a vida, assim é Mário Jordão, um filho da terra que por cá continuou o negócio da família, em família – um dos grandes pilares da sua vida: os pais e os avós que lhe deram as bases fundamentais para ser uma pessoa digna, responsável e com respeito ao próximo, para além da vida profissional.

Eu sou Boa pessoa, muito organizado, sou um bom ouvinte, sou um crítico e, por vezes, explosivo. Sou um bom garfo e um cartaxeiro de gema.

Deu continuidade ao negócio da família, implantado pelos avós na década de 60 do século passado, na mediação de seguros, e que o pai lhe passou. A informática era a área que mais o atraía naquele tempo e, com o seu spectrum, ajudava o pai a informatizar os dados do negócio. Mas o gosto pelo negócio dos seguros foi crescendo e, por conselho do pai, saiu da sua área de conforto e foi trabalhar para fora do Cartaxo, passando por três seguradoras diferentes, onde aprendeu muito, ganhou experiência e contactos.

Mas havia de se fixar profissionalmente no Cartaxo, pegando no negócio familiar, com a mulher, Luísa, e tem sido sempre a crescer.

Atualmente instalada na Avenida João de Deus, a empresa mantém clientes de há 20 e 30 anos sempre com o mesmo objetivo: aconselhar e vender o melhor o produto que mais lhes for conveniente. “Dá-me gosto que a pessoa a quem vendi o seguro dê valor ao serviço e pense que foi uma boa opção, não me interessa só fazer um bom negócio e pensar no dinheiro que ganhei”, garante. E nós acreditamos, não só pelo sucesso da sua empresa, mas porque Mário Jordão se revela uma pessoa preocupada com o que o rodeia. O seu bem-estar depende do bem-estar dos outros. E sempre que é convocado a apoiar alguém ou alguma causa que considere meritória põe mãos à obra e pés ao caminho.

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Foi assim, por exemplo, durante os grandes incêndios no país, em que se deslocou com amigos a Oliveira do Hospital para entregar donativos que recolheram no Cartaxo, e também agora durante a pandemia, em que, em conjunto com a Associação Movimento de Empresários do Concelho do Cartaxo, entregou vários donativos à Santa Casa da Misericórdia do Cartaxo.

Eu gosto De uma boa leitura técnica, de estar nas redes sociais. Gosto das novas tecnologias. E gosto de um bom vinho

Otimista por natureza, Mário não se fica pelas palavras e pela boa disposição, converte também esse otimismo em ações proporcionando o bem-estar dos outros. Daí que se envolva facilmente em ações de caráter solidário, embora confesse que, na maioria das vezes, é levado por outros a fazê-lo. Mas entrega-se de corpo e alma. Até nas suas ações do dia a dia é natural pensar nos outros, nomeadamente nas gentes da sua terra, no sentido de ajudar a levar iniciativas para a frente ou tão somente (e já é muito) a apoiar o comércio local.

Mário Jordão tem uma forte ligação ao Cartaxo, onde nasceu e onde viveu, praticamente, toda a sua vida. Até o casamento foi na Quinta das Pratas, local “simpático”, escolhido para tirar a foto (Taberna do Museu do Vinho) que ilustra estas páginas. Tirando os tempos da tropa, que fez em Mafra, foi por cá que passou toda a sua vida, ainda que durante alguns anos tenha trabalhado fora. “Em termos da minha vida e de estudo fiz praticamente tudo aqui na zona Cartaxo, porque estudei no ISLA de Santarém. Toda a minha vida tem sido feita por aqui. As raízes são de cá, o negócio com que eu fiquei também é de cá…” E recorda a sua juventude como “a melhor altura do Cartaxo”, tempos em que “tínhamos tudo, discotecas e bares a cada esquina”. Estudou no Colégio Marcelino Mesquita, que recorda como “tempos engraçados”, embora houvesse muita coisas que o desagradasse, como a “disciplina rígida”.

Eu quero Que o negócio continuasse como até ao mês passado, saúde para mim e para a minha família.

Hoje dá valor a essa disciplina, “porque tínhamos algum respeito”, mas mesmo naquela altura, aceitava bem lá estar, nunca se revoltou, nem quando colegas seus saíram mais cedo para ingressar na Escola Secundária, até porque estas eram decisões conversadas em família e que não eram tomadas ou impostas pelos pais. “A nível familiar sempre houve uma boa relação. Tive essa vantagem”, reconhece, demonstrando ao longo da conversa que também é assim com os filhos. Quando terminou o colégio foi terminar o secundário em Santarém, na Escola Ginestal Machado, tendo passado pela Secundária do Cartaxo para terminar umas disciplinas do 12º ano.

Eu não sou Falso, mentiroso, vaidoso, calão.

Os amigos que criou na infância e juventude eram colegas da escola e vizinhos, com quem continua a manter relações, mas ao longo da sua vida vem criando outras amizades, demonstrando ser uma pessoa que facilmente cria amizades. “Tenho muitos amigos e tenho muitos conhecidos”, diz, confessando que gosta muito de conviver. Muitas das amizades que foi cultivando surgiram também em ambiente de trabalho e, mais tarde, quando os filhos começaram a praticar triatlo e Mário se encontrava na direção do Clube de Natação do Cartaxo, outros amigos se juntaram ao rol dos já existentes. Se o desporto na sua juventude foi pouco cultivado – ainda praticou basquetebol no Ateneu Artístico Cartaxense, mas reconhece “nunca fui grande coisa em desporto” – foi com os filhos que se entregou à corrida, bicicleta e natação. A partir daí, estava nos seus 40 anos de idade, “todas as semanas corro, ando de bicicleta e tento nadar uma vez por semana”.

Eu não gosto De ser enganado, de falsas promessas, de mentiras. Que não me atendam o telefone. Não gosto de estar com pessoas de quem não gosto.

“Sempre gostei do campo e dediquei-me aos trails que é fantástico. Vamos para sítios de mato fazer BTT, porque a estrada não é muito a minha praia”. Mas não pratica desporto sozinho, “tenho que me obrigar muito para sair de casa. Temos um grupo e chega ali a uma certa hora começam a chover mensagens a combinar as horas e o local de partida e lá vou eu”. Se bem que nesta altura de confinamento, quis dar o exemplo e evitou estas saídas, ainda que reconheça que este tipo de desporto não implica grandes riscos, pois no mato estão separados uns dos outros e ao ar livre, mas considera que é uma questão de “exemplo que devemos dar”. Mais uma vez, a responsabilidade social, que o caracteriza, a falar mais alto.

Eu não quero Que os meus filhos se chateiem por causa da empresa. Não quero que eles se chateiem por nada deste mundo, é a minha principal prioridade.

Para além do desporto, tem com a música uma relação muito estreita e ainda mais longínqua. “Gosto muito de música e quando ouço desligo um bocado…”, confessa, recordando concertos antigos que o deixavam sem voz no final, “porque dava tudo”, e o tempo em que escutava e trocava discos com os amigos. Agora é na rádio que descobre novas músicas e músicos, assim como nas Cartaxo Sessions, no Centro Cultural do Cartaxo, iniciativa que patrocina e que faz questão de assistir ao vivo, porque lá encontra sempre bandas novas, de que nunca ouviu falar e que, na maioria das vezes, o surpreendem pela positiva. “Acontece muito chegar ao final da noite e pensar ‘grande noite’. Eu acho que é um privilégio que temos e que não usufruímos”, lamentando a falta de adesão a estes eventos. “Acho que somos pouco bairristas. Os cartaxeiros perderam um bocadinho o gosto pela terra, não aderem muito às iniciativas…”

Também o humor faz parte da sua vida: “Gosto de rir, que me façam rir e também gosto de fazer rir os outros. Tenho sentido de humor e facilidade de rir, até de mim próprio”. Mas das coisas que mais aprecia na vida, tirando a família que está sempre presente na sua vida, é do campo e do sossego. “E estar no Cartaxo permite-nos ter as duas coisas: se quisermos confusão num instante estamos lá e se queremos estar descansados também se arranja um cantinho. Somos privilegiados em vivermos no Cartaxo”, remata.


Publicado na revista DADA, nº86, de junho de 2020

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