Qual o Cartaxo que queremos?

Opinião de Gonçalo Gaspar

Esta é, por ventura, a pergunta que todos nós cidadãos fazemos quando vivemos num concelho como o Cartaxo. Mas afinal que Cartaxo é aquele que imaginamos e queremos?

A resposta é seguramente: Este não é, de certeza, o Cartaxo que queremos!

O diagnóstico do passado está gasto, serve apenas de comparação ao presente que é demasiado negro. A missão é ambiciosa, mas ao mesmo tempo necessária. Urge refletir e sonhar que tipo de concelho queremos para a próxima década.

Fatores como a localização continuam a ser características diferenciadoras em relação ao norte da região onde nos inserimos. Este fator terá de ser forçosamente explorado, sob pena do Cartaxo continuar fechado ao investimento privado, à criação de emprego e indústria, à fixação de jovens casais, à dinamização do mercado de compra e arrendamento de habitação, à aposta na fixação de pequenas empresas e à dinamização do comércio local, à oferta de formação profissional que capte e prepare jovens qualificados para o mercado de trabalho, entre outras.

Todas estas questões e outras devem fazer parte do nosso imaginário e reflexão, caso contrário o presente do Cartaxo será o futuro.

Das várias áreas de desenvolvimento que considero serem prioritárias destacava a captação e fixação de empresas e a criação de condições para fixar jovens casais no nosso concelho.

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São duas áreas que seguramente se encontram interligadas. Sem empresas não há emprego, sem emprego não há desenvolvimento económico e sem este não há condições para que as pessoas e, principalmente, os jovens se fixem no nosso concelho.

Mas também se deve pensar na melhoria na oferta de apoio à infância, mais ensino de valorização profissional, melhor saúde pública, elevação dos índices de segurança, transportes públicos de qualidade e mais oferta de apoio à terceira idade.

O concelho do Cartaxo, fruto das opções políticas ou falta delas, tem barrado a entrada de empresas e de empresários no seu território, por falta de vontade política ou pura incompetência. Esta é a marca bastante identificativa do poder político no concelho do Cartaxo.

O que é facto é que o fator competitivo da localização e dos acessos à principal autoestrada nacional, não tem sido explorado, pelo contrário. Se no passado a falta de zonas industriais e de acessos era uma lacuna, hoje é o poder político que não proporciona as condições de atratividade, não promovendo o seu território nem a imagem da nossa terra.

Resume-se tudo à vontade política de quem dirige os nossos destinos, convencidos que o fazem de forma vitalícia.

Se há muitos anos atrás, os decisores da época achavam piada que o Cartaxo fosse um local de segunda habitação, onde alguns abastados tinham a sua casa de campo. Hoje essa visão não só trouxe alguma desertificação como a mesma tem de ser alterada. O Cartaxo tem de deixar de ser um simples dormitório.

Há que pensar em estratégias para fixar, por exemplo, os jovens casais. Mais apoio à maternidade e paternidade, melhorar as condições de alojamento e ser mais solidário.

Crónica publicada na edição de dezembro do Jornal de Cá.

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