Quando a balança é uma obsessão

Opinião de Sónia Parente, Psicóloga Clínica e Mestre em Psicologia Educacional

A anorexia não é somente uma doença de moda, ou seja, derivada de padrões de beleza ditados pela moda. 

O ideal de beleza da nossa sociedade pode ser um fator que desencadeia o processo da preocupação com o peso mas o transtorno alimentar exige predisposições nomeadamente genéticas e/ou de vulnerabilidade da personalidade.

A anorexia tem maior prevalência nas raparigas jovens e geralmente começa com uma dieta normal para perder uns quilos a mais, mas quando é atingido o peso antes desejado ela não consegue parar de controlar o peso. Torna-se uma obsessão, a sua autoestima depende obsessivamente do controlo do peso corporal. Ao contrário do que se possa pensar, a anorética tem um apetite normal mas controla a ingestão de alimentos e esse controlo dá-lhe uma sensação de poder. Pode sentir que não é boa em nada mas é boa a controlar a sua fome.

Vive para o controlo alimentar e cada perda de peso é sentida como grande conquista e com um sentimento de extrema disciplina pessoal. O controlo do peso torna-se o fulcro da sua vida e o único objetivo realmente importante, de que depende todo o seu valor pessoal. Em segredo tentam constantemente superar-se e a perda de peso nunca é suficiente, chegando ao ponto de já não ser uma questão de não querer comer mas sim de não ser capaz de comer, já que o medo de aumentar de peso é aterrador. Se não recorrerem a tratamento podem morrer e quanto mais tempo passar, mais a doença progride e mais difícil é de tratar. Este tratamento deve ser multidisciplinar, incluindo psicólogo, dietista, endocrinologista…

Mas o médico é visto como um inimigo já que para essa pessoa tratar-se é voltar a comer e a aumentar de peso, que é aquilo que mais as assusta. Como em todas as doenças compulsivas, o primeiro passo para o tratamento é o reconhecimento de que tem um problema.

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