Que Cartaxo Queremos?!

Opinião de Gonçalo Gaspar

Aproxima-se a data das comemorações dos 200 anos de elevação do Cartaxo a Concelho. É o momento oportuno para fazer uma avaliação, mesmo que um pouco restritiva tendo em conta que nem eu nem nenhum familiar, tem ou viveu 200 anos, para que eu tenha um conhecimento amplo daquilo que foi a história da elevação do Cartaxo a Concelho. Há uma coisa que eu sei, o Cartaxo pelo menos nos últimos 30 anos já viveu momentos de glória e regozijo e momentos de vergonha e decepção.

O  Cartaxo sempre foi conhecido, dentro e fora das suas fronteiras, por uma terra realmente viva, com dinâmica e, acima de tudo, com qualidade de vida, a fazer inveja a todos os concelhos seus vizinhos. Toda essa dinâmica foi, ao longo dos tempos, perdendo relevo por culpa daqueles que politicamente lideraram o destino do nosso concelho. Em matéria social, cultural e desportiva, se não fossem as nossas coletividades e o seu movimento associativo, provavelmente, hoje o Cartaxo era um concelho fantasma.

As más políticas tiveram um impacto visivelmente negativo no nosso concelho, seja a nível social, seja a nível económico e financeiro. A nível social porque a população não sente ser parte integrante na construção do nosso concelho. A nível económico porque uma terra que fecha as portas à fixação das empresas é uma terra que não promove o desenvolvimento económico, o fomento do empreendedorismo e a criação de mecanismos, para que as empresas possam gerar riqueza e criar postos de trabalho. E a nível financeiro porque o investimento em coisa inútil adia o investimento em coisa útil, onde o equipamento básico, que deve ser colocado ao serviço da população, fica adiado por causa do investimento no equipamento supérfluo, que fica bem no portfolio de qualquer político parolo.

Tive oportunidade de assistir à apresentação pública onde foi apresentado o plano de atividades para as comemorações dos 200 anos de elevação do Cartaxo a Concelho e confesso que fiquei preocupado, bastante preocupado, desde logo porque 70 por cento das atividades propostas situam-se na evocação de um conjunto de personalidades história e feitos cuja memória evocativa ninguém conhece e que tem reduzida relevância para a história contemporânea do nosso concelho. Trata-se de um plano de actividades desprovido de organização e, acima de tudo, que satisfaz de forma ilegítima o ego e o interesse particular à equipa de comissários, em detrimento da população do concelho do Cartaxo.

Relembro que estamos a falar em comemorações dos 200 anos, logo parece-me de elementar justiça que os cartaxeiros e o movimento associativo da nossa terra sejam a pedra angular nestes festejos.

Precisamos seriamente de reflectir, durante o próximo ano, que Cartaxo queremos para as próximas décadas. Este é o momento do futuro.

Pode gostar também

Comentários estão fechados.