Quem acode ao Tejo?

Opinião de Renato Campos

Segundo notícias recentes, a Espanha estará, novamente, a efetuar transvases do caudal do rio Tejo para a bacia hidrográfica do Segura situada mais a sul. Claro, que a simples redução do caudal de água de um dos principais rios ibéricos, não é assunto pacífico e poderá ter a jusante graves consequências negativas. De facto, a água para além das suas especificidades como insubstituível fonte de abastecimento às populações, ou como fator de fertilidade dos terrenos, assume, também, ao nível da bacia hidrográfica dos cursos de água, uma importante condicionante do desenvolvimento regional. E, neste caso, é bom ter presente que, pela sua dimensão e localização geográfica, a Bacia Hidrográfica do Tejo constitui o eixo condicionante e indutor do desenvolvimento da região ribatejana.

Também, ao nível da capacidade produtiva, que faz da região do Vale do Tejo, uma das regiões europeias com inegáveis potencialidades agrícolas, esta tem muito a ver com a boa capacidade de irrigação de toda esta vasta área de férteis terrenos de aluvião. Isto, para não referirmos, de uma forma mais lata, a enorme importância que possui a nível nacional, toda a Bacia Hidrográfica do Tejo onde residem perto de 3,5 milhões de pessoas.

Deste modo, é óbvio que qualquer redução do volume de caudal do Tejo que não seja, previamente consertada entre os dois países, possa constituir um sério problema, com especiais consequências para as zonas jusantes. E, neste caso, não esquecemos que se encontra localizada nas margens do rio, perto da fronteira portuguesa, uma Central Nuclear espanhola que utiliza parte da água do rio como refrigeração.

Se hoje no Tejo, já encontramos água salobra perto de Azambuja, imprópria para rega, lembramos que cada vez que no Tejo o caudal for reduzido, mais entra nele a água do mar provocando a salinização dos campos.

Qualquer redução do caudal no troço português, comportará muitos riscos, particularmente, um mais elevado nível de contaminação das águas, o que não é desprezível!

Mas se isto já é grave, a consequência da redução do caudal do Tejo, pode ser ainda mais alarmante. O conhecido efeito de “estufa” originado pelo gradual aquecimento médio do planeta, faz com que o degelo que se está a verificar nos polos, provoque o aumento do nível das águas dos oceanos, o que se traduzirá pela absorção das terras costeiras mais baixas pelas águas salgadas. Ora, no caso da diminuição dos caudais dos rios, esta subida do nível do mar fará com que entre pela foz dos rios uma maior quantidade de água salgada.

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Se hoje no Tejo, já encontramos água salobra perto de Azambuja, imprópria para rega, lembramos que cada vez que no Tejo o caudal for reduzido, mais entra nele a água do mar provocando não só a salinização dos campos, como também criando problemas qualitativos no abastecimento às populações.

É óbvio, que não queremos salinas e pantanais salgadiços nos campos de Valada, nem na pesca de rio a “fataça trocada pela sardinha”, pelo que esta situação, decerto preocupará, não só as populações ribeirinhas do Tejo, como também e, muito especialmente, o Município e os seus autarcas.

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