Racismo não tem cor

Opinião de Raquel Marques Rodrigues

Está crónica surge pelo trágico acontecimento que decorreu no passado 25 de Maio a George Floyd, nos Estados Unidos, abordando, naturalmente, a minha percepção sobre o tema do racismo. Trata-se de um assunto polémico que perpétua entre gerações, muitas vezes silenciado, mas que carece de reflexão por isso convido à sua meditação.

O que leva os indivíduos a serem racistas? Para mim considero algo tão irracional que tenho dificuldade em compreender o que move as pessoas a deixarem cicatrizes profundas no outro, afinal “todos iguais e todos diferentes” é o lema que conhecemos, mas a verdade é que teimam não aceitar essa diferença e fazer do racismo palco de preconceito e descriminação no mundo. O racismo é um tipo de preconceito que está relacionado com as etnias e raças. Este conceito está apoiado na ideia de superioridade, ou seja, que há raças superiores a outras.

Recordo que já se realizaram estudos a comprovar que a raça do indivíduo não tem qualquer relação com a inteligência e carácter, mas, por estupidez e ignorância, muitos continuam acreditar que sim. Então, neste momento, socorro-me da afirmação do grande génio da Teoria Geral da Relatividade, A. Einstein: “Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas em relação ao universo ainda não tenho a certeza absoluta”.

Digam-me, porque eu continuo a não perceber, é preciso alguém injustamente morrer, de forma violenta sem dó nem piedade, para se fazer soar a importância de preservar os direitos humanos e a dignidade?!?

Será possível esquecer que todas as pessoas têm direitos humanos? Direitos que não devem ser violados, tal como estão consagrados na declaração dos direitos humanos da ONU (1948) e que merecem respeito e protecção.

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Nunca fui baleada com comportamentos racistas, por isso nunca senti na pele a dor desse estigma, no entanto penso que não são as leis que vão mudar essas atitudes, mas a promoção de uma pedagogia anti-racista desde do colo de mãe. Essa formação de valores ensina-se desde casa e na escola e é nesse espaço que se promovem as relações sociais e a diversidade, tornando cada ser humano mais rico. Ainda bem que tive esse privilégio de crescer com a diferença! As diferenças acumulam e geram conhecimento.

Foi preciso que os atos nos EUA fizessem parar o mundo e que as pessoas saíssem às ruas para se manifestarem contra o ódio e a violência. Arrisco dizer que, por vezes, paga-se uma nota preta em nome da paz, liberdade e justiça. Este acto criminoso originou uma grande revolta em 75 países e, desde o assassinato de M. King (1968), não houve um impacto tão significativo sobre o racismo. Certamente trouxe mudanças e a minha esperança é que se deixe de lançar sementes de conflito entre sociedades e nações, afinal somos todos seres humanos e vidas negras importam.

Em jeito de conclusão, ninguém nasce racista, como a minha filha diz: “as pessoas podem ter várias cores, mas não importa, eu chamo-as pelo seu nome” .

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