Refugiados, Humanos como nós

Opinião de Pedro Mendonça

A crise dos refugiados que se abate sobre a Europa e as suas fronteiras é cada vez mais mortal para a humanidade.

Mortal porque morrem milhares de pessoas afogadas no mediterrâneo, porque sonham que é possível viver e não apenas sobreviver, porque não perderam a capacidade de sonhar com um mundo melhor para si e para os seus filhos e pais. Morrem milhares no mediterrâneo enquanto outros milhares passeiam no mesmo mar em cruzeiros turísticos que não param, nem sequer abrandam para ajudar os moribundos com que se cruzam.

Mortal porque matam outro sonho, o sonho de uma Europa com princípios e valores que se queria farol para o resto do mundo. A Europa baseada nos direitos humanos afoga-se, ao mesmo tempo que se afogam os mártires que sonham viver nessa Europa, que silenciosamente definha ao nível dos valores que valorosos democratas-cristãos, social-democratas e socialistas instituíram como base da construção europeia.

Quando a Dinamarca aprova leis que mais parecem pertencer a ditaduras que dividem os humanos em castas ou quando o País de Gales impõe aos refugiados usarem pulseiras identificativas, como os nazis impuseram aos judeus usarem a Estrela de David, é porque já não é só o sonho europeu que tentam matar, é também a nossa humanidade.

Somos tão humanos como humanos são os refugiados, talvez a grande diferença seja o dinheiro, nós os europeus pensamos estar a salvo na poltrona da velha e rica europa, mas esquecemos que se recuarmos menos de um século, também os europeus andavam aos milhares a fugir da guerra e da miséria com destino aos Estados Unidos, por exemplo.

Quando percebermos que não somos melhores por sermos mais ricos, quando entendermos que não somos superiores por vivermos em paz, na maioria dos países europeus há mais de 70 anos talvez aí haja um sobressalto humanitário e talvez aí gritemos que não aceitamos que irmãos nossos morram por fugirem da guerra em busca do sonho da Europa pacífica.

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Acordemos agora e salvemos a nossa humanidade e o nosso sonho de uma União Europeia baseada nos Direitos Humanos.


 

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