Reis e Rainhas das Vindimas do Cartaxo

Opinião de Céu Clemente

Prestes a realizar-se a 27ª edição do que era a eleição Rainha das Vindimas do concelho do Cartaxo, surge um novo formato que introduz a vertente masculina neste evento. Segundo o Presidente da Câmara Municipal, Dr. Pedro Ribeiro, “é o primeiro ano em que as freguesias escolheram os jovens de acordo com a nova organização territorial…”.
Porque é que a nova organização territorial influencia um evento de cariz cultural que evidência os costumes e tradições ligados à vinha e ao vinho no concelho?
A própria lei que impôs a nova organização territorial não se atreveu a ir tão longe e consagrou mesmo que “a agregação não põe em causa o interesse da preservação da identidade cultural e histórica” (Lei n.º 22/2012, Nº3, Art.º 9), mas os nossos autarcas entenderam que não bastava a agregação administrativa.
Quase nada se tirou a esta gente das Uniões de Freguesias… é preciso mais… também para que é que eles precisam de preservar a identidade cultural? Esta é a sensibilidade dos autarcas que temos ao serviço das populações!
As freguesias agregadas, apesar da curta distância geo-gráfica, são compostas por comunidades completamente diferentes, quer na sua história, cultura e tradições, razões que impõem essa diferença, que pode e deve manter-se!
Mas os eleitos do nosso concelho entenderam diferenciar as Uniões de Freguesias, das freguesias, elegendo um candidato a rei e uma candidata a rainha por cada freguesia, sendo que as Uniões de Freguesias, apenas poderão apresentar um candidato a rei e uma candidata a rainha. E é assim que vai ser!
Não deixa de ser curioso que foram estes senhores, apenas há um ano atrás, no decorrer da campanha eleitoral, se manifestavam contra a lei que impôs a agregação de freguesias, quando afinal ao tomarem esta decisão, verifica-se que, não só aprovam a lei, como a consideram insuficiente, retirando às populações a sua identidade histórica e cultural.

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