Sair da cepa torta

Opinião de João Oliveira

Aproveitando a época festiva formulo a minha lista de resoluções para o Cartaxo em 2020. Desejo:

Que o nosso executivo municipal cumpra as promessas que faz em cada orçamento, contrariando o que tem sido o histórico recente da sua execução da Atividade Mais Relevante e do Plano Plurianual de Investimentos que, atualmente, se encontra entre os 40 e os 50%.

Que as prioridades passem pelos arranjos exteriores, repavimentações, melhoria do edificado e dos serviços públicos e pela renovação da frota de equipamentos para a recolha de resíduos.

Que o incremento das receitas do município vá além daquilo que é a cobrança de impostos ou a receção de verbas da Administração Central, em particular, através de uma melhor gestão dos espaços/equipamentos municipais. Nesta vertente, desejo que se contrarie a trajetória decrescente de utilizadores do Museu Rural e do Vinho ou das piscinas e do campo de ténis em regime livre que, desde 2017, estão em queda acentuada. Que essas receitas arrecadadas sirvam para a manutenção destes espaços, e quiçá, para investimento.

Que seja possível diminuir as despesas com adjudicações diretas e consultas prévias, as quais dispararam nos últimos anos após a receção de verbas do Fundo de Apoio Municipal. A lei permite a utilização de outros procedimentos mais competitivos, como é o caso do concurso público, podendo assim obter-se propostas mais vantajosas para o Município.

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Que essa poupança seja por sua vez balanceada com os investimentos prioritários acima referidos.

Que o concelho seja capaz de atrair empresas para as suas zonas industriais e parques de negócio contribuindo para o desenvolvimento da economia local. Investimentos reais e não planos e projetos que até hoje não viram a luz do dia.

Que o aumento dos coeficientes de localização que irão agravar o IMI às populações não tenha lugar no Cartaxo, uma vez que em 2016, tivemos já uma clara subida no nosso concelho, em particular, nas áreas com maior densidade populacional.

Que se combata o desmazelo na limpeza e manutenção do que é de todos. Que o Município dê o exemplo, limpando os grafitis que se encontram nas paredes dos Paços do Concelho ou as marcas de pontapés nas paredes das caixas de escadas do Parque de Estacionamento Central que se perpetuam há meses. Que se aposte na requalificação da zona envolvente da Galeria José Tagarro, um dos poucos cartões-de-visita patrimoniais que nos resta.

Que os Fundos Comunitários que chegarão perto de 2021, disponíveis para todos os concelhos do país, não sejam perdidos em gastos supérfluos em equipamentos novos para os quais não teremos capacidade de garantir a devida manutenção, arranjando-se por sua vez um novo problema para resolver.

Por último desejo que os habitantes do concelho do Cartaxo possam voltar a ter orgulho na sua terra e naquilo que a mesma tem para oferecer. O potencial está cá!

Um excelente 2020 para todos os leitores do Jornal de Cá.

*Artigo publicado na edição de janeiro do Jornal de Cá.

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