Saneamento básico volta a gerar ‘troca de galhardetes’ entre presidente e oposição

Realizou-se esta segunda-feira a primeira reunião de Câmara do Cartaxo em 2019.

Uma reunião que foi antecedida pelo cantar das Janeiras, pelo Grupo de Cantares das Atividades Seniores de Pontével que, ainda que atrasado, não quis deixar de desejar um bom ano aos eleitos, tendo interpretado alguns temas alusivos à época.

As Janeiras foram cantadas no hall do 1º andar, onde estava posta uma farta mesa de Reis, com bolo-rei, chá e abafado, oferecidos pela Câmara Municipal e pela Junta de Freguesia de Pontével.

Para além do cantar das Janeiras, esta reunião fica marcada por uma grande afluência de público, que aproveitou o período Antes da Ordem do Dia para expôr os seus problemas e questionar o executivo.

Destaque para a presença de um grupo de moradores da Estrada dos Luízes, em Pontével que, acompanhados pelo presidente da Junta de Freguesia, Jorge Pisca, quiseram saber porque razão o saneamento básico não chega até às suas habitações.

Segundo disse Jorge Pisca, “o saneamento básico vai só até meio da estrada e não foi mais adiante. A justificação que a Cartagua deu é que a água que abastece aquele zona é de Azambuja. Acho que isso não é impedimento, na altura, não havia conduta de água da Câmara, hoje há duas”.

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Além disso, acrescentou Jorge Pisca, “nós, na freguesia de Pontével, não temos conhecimento do projeto de saneamento básico. Já o pedimos e a Cartagua diz que a Câmara é que nos tem de facultar e não eles”.

“Teremos de ver, em concreto, o projeto e o que é que ele estabelece”, esclareceu o presidente do Município, Pedro Ribeiro, acrescentando que já reforçou o pedido para que os projetos sejam facultados e que “teremos de ver o que é que está no caderno de encargos de investimento”. No entanto, Pedro Ribeiro alertou para o facto de “não estando previsto no plano de investimentos, a empresa não é obrigada a fazer. Aquilo que nós estamos a fazer é procurar encontrar soluções, dentro daquilo que não estava inicialmente previsto no plano de investimentos quando a Câmara, em 2010, entregou a concessão à Cartagua”.

Um dos moradores, Joaquim Barbosa, é morador daquela estrada desde 1989, “os esgotos estavam a cerca de 200 metros. Esperemos que não sejam precisos tantos anos para resolver o problema de 200 metros. Nós estamos a falar de oito agregados familiares a viver naquela zona, o que representa muita gente. A nossa pretensão é que isto não caia em saco roto e que não demore tanto tempo, e que seja, realmente, um compromisso da Câmara tentar resolver isto no mais curto espaço de tempo”.

Os esclarecimentos prestados pelo presidente da Câmara Municipal não satisfizeram o vereador Jorge Gaspar (PSD), que disse não as ter percebido. “O senhor presidente fala no contrato inicial, de 2010. Depois disso, nós já tivemos três adicionais, um dos quais foi aprovado nesta Câmara em 2017. O senhor presidente remeter este assunto para o contrato de 2010 parece-me, no mínimo, um erro, porque o senhor, quando tomou posse em 2013, tinha em vigor um 2º adicional. Portanto, no mínimo, tem de olhar para o 2º adicional. E o senhor está como presidente vai para seis anos, a Cartagua está no Cartaxo há nove anos. O que o senhor presidente tem de responder a estas pessoas. a menos que não o saiba, é se no contrato adicional, que negociou vai para dois anos com a Cartagua, incluiu ou não esta obra. Não remeta para 2010 este assunto”.

Realçando que Jorge Gaspar “não sabe”, Pedro Ribeiro explicou que “o adicional que herdámos, o 2º, não tinha grandes alterações ao plano de investimentos e se verificar o 3º adicional também, porque nós não tínhamos margem, como devia saber, para mexer no plano de investimentos”.

Apesar desta pequena ‘troca de galhardetes’ entre o presidente e o vereador da oposição, a reunião de Câmara do Cartaxo deixou boa impressão, como fez questão de notar um dos presentes, Manuel Penedos, morador em Lisboa mas com habitação em Pontével, precisamente, na Estrada dos Luízes. “Eu estou muito agradado. Independentemente de atingirmos, ou não, os objetivos tão depressa como gostaríamos, quero apenas agradecer ao senhor presidente e aos residentes naquela zona. Eu nunca vim a uma reunião destas e é com muito agrado que vejo uma reunião destas a funcionar e a democracia, digamos assim, a funcionar. E, por isso, agradeço, também, o contraditório. Vou-me embora, mas vou satisfeito”, terminou, desejando um Bom Ano a todos os presentes.

Isuvol
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