Saúde à mesa na Terceira Idade

Opinião de Raquel Marques Rodrigues

Qual o papel da alimentação na terceira Idade? Qual o impacto de uma má nutrição? A alimentação dos idosos exige cuidados especiais e garantir um bom estado nutricional, principalmente na terceira idade, pode ser um desafio. No âmbito das celebrações do Dia Mundial da Alimentação, que ocorre no próximo dia 16 de outubro, deixo umas notas sobre este tema que constitui um dos principais pilares para o envelhecimento ativo e saudável, com maior qualidade e independência.

Já lá vai o tempo que muitos dos idosos de hoje foram alimentados com uma sardinha para dois, iam dormir sem cear e comiam o que na sua horta nascia. Mas a cultura gastronómica e os hábitos alimentares do nosso povo sofrerem alterações e grande parte da população consome sal, gorduras saturadas e açúcar acima dos níveis recomendados, afastando-se da dieta mediterrânica. Por isso é muito usual ouvir aquele velho ditado popular: “somos o que comemos”. Embora saibamos que o importante é evitar excessos e comer com moderação, será que temos a noção que uma má alimentação é, hoje, uma das principais causas de morte no mundo?

De acordo com um estudo publicado pela Deco Proteste, os idosos em Portugal (em 2018) fazem em média quatro refeições por dia e o número de refeições tende a diminuir à medida que envelhecem. Mais de metade dos idosos realiza uma dieta desequilibrada, e as principais lacunas estão no consumo pouco frequente de fruta e produtos hortícolas, consumo excessivo de alimentos açucarados e de bebidas alcoólicas, conduzindo ao aparecimento de várias doenças: obesidade, gastrite, diabetes, tumores, problemas cardiovasculares.

Há outros fatores também que decorrem do envelhecimento que podem limitar a ingestão alimentar e condicionar o seu estado nutricional, nomeadamente problemas de mastigação e/ ou de deglutição, devido ao uso de placas e ou próteses dentárias e desidratação e alterações da função gastrointestinal, o que pode contribuir para outros problemas como diabetes, hipertensão arterial, demência, entre outras, com o respetivo incremento da farmacoterapia.

Uma alimentação de qualidade deve ser mantida ao longo da vida e, se queremos assegurar um envelhecimento bem-sucedido, as escolhas dependem de si. Resgate hábitos alimentares do passado, reduzindo na quantidade de alimentos industrializados, para isso descasque mais e desembale menos. E pela sua saúde ingira menos açúcar, pois você já é, certamente, uma pessoa doce.

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