“Se não fosse a união de freguesias, Vale da Pinta abria insolvência”

A problemática das uniões de freguesias voltou à ordem do dia na reunião de Câmara do Cartaxo desta segunda-feira, 4 de novembro, realizada na sede do Rancho Folclórico de Vale da Pinta.

A questão foi levantada por Orlando Casqueiro, da CDU, no período destinado à intervenção dos munícipes. Orlando Casqueiro lembrou que o PCP apresentou, na anterior legislativa, uma proposta para que as freguesias fossem restauradas, caso as populações o desejassem, e “estamos num local que é um bom exemplo de que a anulação de um conjunto de freguesias foi negativo, porque não há justificação, em termos financeiros”. Como nada foi feito, “com esta nova legislatura, talvez seja possível, o PCP vai avançar novamente, assim haja, da parte dos outros partidos acompanhamento”.

Vale da Pinta é um bom exemplo, acrescentou Orlando Casqueiro, porque “talvez esta seja a freguesia com mais falta de investimento nas suas infraestruturas. Olhe-se o ringue desportivo, que está ao abandono; olhe-se o património histórico que são as fontes; vejam-se as estradas nalgumas zonas”.

O presidente do Município, Pedro Ribeiro, começou por dizer que “espero que o meu partido cumpra aquilo com que se comprometeu e que possa haver uma alteração legislativa que, de algum modo, possa respeitar a vontade dos autarcas e das populações. Só acho é que escolheu o pior exemplo”, porque, acrescentou Pedro Ribeiro, “deve ser dos poucos casos, a nível nacional, que se não existisse uma agregação de freguesias, o orçamento da Junta, com a dívida brutal que ficou nesta freguesia, não dava para pagar às pessoas que trabalham na própria Junta. Se calhar, é dos raros casos em que a união de freguesias foi positiva”. “Um mês ou dois a seguir às eleições, os funcionários não iam ter ordenados, era uma Junta que iria ficar insolvente”, assegurou.

Uma intervenção que “revela um desconhecimento total daquilo que é a realidade da União de Freguesias Cartaxo e Vale da Pinta”, destacou Délio Pereira, presidente da Junta de Freguesia. Por isso, “estranho que continue a defender uma freguesia que recebe de FFF (Fundo de Financiamento das Freguesias) 28 mil euros por ano e só com os funcionários que tem, que são quatro, gasta 48 mil euros por ano. Só com o pessoal há um défice de 20 mil euros, só para ter as portas abertas”. O autarca garantiu que ” se não fosse a freguesia do Cartaxo, neste momento, a freguesia de Vale da Pinta teria, de certo, as portas fechadas”.

Assim, a reposição das freguesias, “se calhar, para nós, era um alívio. Não teríamos, certamente, os problemas financeiros que temos tido e teríamos, certamente, a freguesia do Cartaxo com uma situação financeira muito positiva e favorável, que deixámos de ter”, finalizou Délio Pereira.

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