Opinião

Setembro: renovação e melhoria da escola

"E se pensarmos que as escolas também têm a responsabilidade de educar para a democracia e para o pluralismo, então, sermos capazes de ouvir os outros e, nos dissensos, negociar consensos faz dos órgãos colegiais da administração educativa exemplos de excelência da cultura democrática". Por Elvira Tristão, professora

By Jornal de Cá

September 10, 2026

Com o cheiro da pisa das uvas e da terra molhada, setembro entra-nos porta adentro com promessas de um bom ano novo, no que à escola diz respeito. E creio que o ano 2026/2027 será um ano inspirador e carregado de novas oportunidades para melhorarmos as nossas escolas.

Em ambos os agrupamentos de escolas do nosso concelho, teremos novos diretores, com equipas renovadas (insisto em não lhes chamar novas direções, porquanto o órgão de gestão é unipessoal, com tudo o que isso acarreta de poderes e responsabilidades). Teremos, também, novos órgãos de direção, que são os conselhos gerais (também a este órgão colegial, composto pelos stakeholders das respetivas comunidades escolares, insisto em chamar “órgão diretivo”, pois ė este que aprova as linhas orientadoras dos agrupamentos escolares e escrutina a gestão levada a cabo pelos diretores). Poderão os leitores argumentar que, se não houver renovação das equipas, não haverá mudança, logo, não existirá melhoria.

Porém – desculpem-me a esperança- não será assim, se da parte de todos nós houver vontade de fazer (ainda) melhor. E essa é obrigação de todos nós, assumindo cada um as suas competências e o seu papel nos processos de melhoria. Já todos conhecemos o provérbio africano de que é preciso toda a aldeia para educar uma criança. E eu acrescentaria “cada um, no âmbito das suas competências”.

Às famílias o cuidado e os valores; aos professores a pedagogia e o desenvolvimento do currículo de cada criança/ aluno; aos assistentes técnicos e operacionais o apoio à gestão administrativa, pedagógica e logística da escola; às estruturas de coordenação pedagógica (as ditas lideranças intermédias) a responsabilidade de conceber e organizar o projeto educativo e os currícula (avaliação incluída); aos subdiretores, adjuntos e assessores o apoio à gestão, cumprindo as diretrizes dos órgãos de coordenação pedagógica, de que os diretores são os líderes de topo; aos membros dos conselhos gerais o escrutínio e a aprovação das linhas orientadoras dos agrupamentos bem como a concertação de políticas locais; e, finalmente, às autarquias a garantia da segurança e da qualidade das infraestruturas e equipamentos bem como a dotação de meios humanos e materiais, em subsidiariedade com a administração central. E este resumo pecará, certamente, por defeito tal é a complexidade da administração da educação num processo de governação multinível (escola – município – comunidade – ministério da educação).

Nestes diferentes níveis, cada um tem o direito e a responsabilidade de participar, propondo novos modos de agir, mas também questionando os modos instalados, pois está provado que são, quase sempre, as perguntas que nos fazem avançar para patamares de maior qualidade. E se pensarmos que as escolas também têm a responsabilidade de educar para a democracia e para o pluralismo, então, sermos capazes de ouvir os outros e, nos dissensos, negociar consensos faz dos órgãos colegiais da administração educativa exemplos de excelência da cultura democrática.

Assim, para não me afastar do que me levou a escrever este artigo, formulo votos para que saibamos, respeitando as competências de cada um, melhorar a educação no nosso concelho. E dou alguns exemplos do que está a ser feito: o enorme investimento no Agrupamento D. Sancho I e as obras de manutenção na Escola Básica Marcelino Mesquita por parte do município; a organização dos exames e respetivas classificações, por parte dos professores; a preparação do novo ano letivo (turmas, distribuição de funções, horários, receção de novos equipamentos, limpezas e arrumações, por parte das diferentes equipas (docentes e não docentes).

E tanto há a fazer, a partir de setembro! Mais do que apontar o dedo ao que deveria ter sido feito, é imperativo rever e melhorar processos, planificar, aprender em multidisciplinaridade e, também, participar nos órgãos de coordenação, gestão e administração dos agrupamentos escolares, na construção de uma melhor educação para todos, onde todos temos voz e lugar. São estes os meus votos para o querido mês de setembro (e seguintes): renovar e melhorar! Quase sempre preferi o copo meio cheio ao copo meio vazio, o elogio à crítica.