A sexualidade na terceira idade

Opinião de Aníbal Felício Ferreira, Gerontólogo, mestrando em Cuidados Continuados Integrados (paliativos)

Tema tabu quando se trata de observar a vida íntima dos indivíduos mais idosos, a sexualidade na terceira idade é uma realidade que não deve ser ignorada, uma vez que os seres humanos são seres sexuais, mesmo que a doença ou as situações de vida impeçam a expressão sexual.

O idoso deve aceitar a sua sexualidade sem vergonha ou receio de ser ridicularizado, assim como os técnicos de saúde devem dar condições de privacidade, de aceitação e abertura aos indivíduos institucionalizados.

Inúmeras vezes, os mais idosos continuam a ter desejo, fantasias e necessidade de afeto que devem ser encontrados na forma de uma sexualidade por vezes abordada de forma diferenciada mas efetiva.

A diminuição da frequência sexual no indivíduo idoso não se deve normalmente a causas fisiológicas, excepto nos casos de determinadas doenças crónicas, cirurgias, certos medicamentos, excessos alimentares ou de consumo de álcool.

As causas mais frequentes de diminuição da actividade sexual nesta fase etária devem-se especialmente a: monotonia e cansaço na relação, preocupações financeiras ou com negócios, cansaço físico ou mental, depressão, dificuldade em colocar a intimidade sexual como importante, medo de não conseguir erecções, falta de um parceiro/a.

A atitude mais frequente é desistir, até porque quando um dos elementos do casal passa a ter dificuldades, o outro desinveste também para não lhe causar sofrimento emocional.

A situação pode ser revertida.

Além do sexo como o conhecemos quando somos mais jovens e activos, uma carícia, uma troca de intimidades é por vezes a resposta positiva à relação sexual tradicional que têm os mais jovens.

Pode e deve haver uma adaptação e os casais podem fazer o que lhes for possível sem que para isso tenha de existir obrigatoriamente uma erecção ou penetração.

São os casais que, ao longo da vida, tiveram uma vida sexual mais rica que mais facilmente conseguem criar alternativas face às dificuldades. O sexo não tem prazo de validade nem termina com a juventude.

No idoso, o sexo promove o bem estar físico e emocional, estreita relações sociais entre os parceiros, incrementa alguma dinâmica física numa fase etária geralmente menos ativa e por último, o sexo no idoso existe efetivamente e deve ser gratificante para os intervenientes.

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