Tabernices Cartaxeiras…

Opinião de Frederico Guedes

Quando o nosso poder político em anteriores mandatos tentou “rotular” o Cartaxo – Capital do Vinho, realizou esta ação de marketing tardiamente, pois já nessa altura várias tabernas típicas e grandes casas vinícolas tinham encerrado as suas portas e muitas vinhas eram arrancadas pela raiz, para que os seus proprietários recebessem os respetivos subsídios comunitários.

Vivendo da fama que tão preciosos néctares saíram do nosso concelho, referenciado por umas famosas termas para curar o fígado, turisticamente falando, nunca se apostou num verdadeiro roteiro das tabernas cartaxeiras.

Como transcrito na nossa Wikipédia, uma taberna ou taverna é, de uma forma geral, um lugar de negócios ou convívio onde a palavra deriva do latim que significa “oficina” ou “abrigo”.

Recordo-me nos anos 70 das tabernas que proliferavam pelo nosso burgo, como a do Miranda onde o seu proprietário de nome Joaquim, tinha logo á entrada uma fotografia sua com o Eusébio e onde perante a sua figura de gente boa e honesta era considerado um local de culto como um escritório só para “sócios”.

Para os lados da Ribeira imperavam a Tasca do Lapa, a do Manel da Eduarda onde a sua esposa deliciava os clientes com os seus cozinhados e a do Meia Orelha onde uma enorme tábua rasa fazia de base para o jogo da malha.

Outra recordação bem presente era a da Taberna do Major onde as suas duas portas bamboleantes faziam lembrar os saloons de um filme de cowboys ou a do Carlos da Taberna que tinha um jogo da Laranjinha (mini snooker com orifícios nos cantos e centro da mesa) que acabei por comprar e restaurar, sendo hoje cobiçado por colecionadores e antiquários.

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Nos dias de hoje ainda podemos encontrar verdadeiros Hinos à gastronomia ribatejana na Casa Cocharradas onde o senhor Vítor e a esposa Conceição continuam apresentando a deliciosa Sopa de Coelho entre outros ou então agora na renovada Tasca do Sr. Vinho, que manteve as características típicas da casa, em que o João Alexandre e a Esposa Célia tão bem dinamizaram.

Mais recentemente, há outros ícones da nossa Terra para quem gosta de petiscar acompanhando com os néctares da região como são o Copo 3 no Mercado Municipal, a Taverna das Cartaxas na Travessa com o mesmo nome ao cimo da Rua Batalhoz e o Pata Negra um novo espaço em casa do séc.XIX, na rua José Ribeiro da Costa ambos com ementas de extensa variedade.

Outro local que aconselho vivamente fica na bonita freguesia de Vale da Pinta onde a Pinta do Vale tem sempre um cardápio sortido de apetitosos petiscos da nossa gastronomia, num espaço deveras aprazível com esplanada.

E assim me despeço pois o descrever desta crónica já me abriu o apetite para visitar estes locais, pois sou daqueles que não passo a vida a enaltecer o De Lá de fora, mas sim com orgulho, a gostar do que é de Cá.

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