Teatro em Pontével

Opinião de Zelinda Pêgo

(continuação)

Em 1939, o então Grupo dramático Marcelino Mesquita, com novo elenco, começa a ensaiar de novo a peça “O Ferro Velho”, mas só é estreada em 1940, e desta vez já representada numa sala situada na Rua da República, um antigo lagar de azeite, de vara, que era propriedade do comerciante local, José Casimiro de Figueiredo, que desactivou o lagar e o cedeu para representações teatrais, concertos, festejos e, mais tarde, para a sede da S.F.I.P.

Os grandes impulsionadores do teatro desses tempos, Luiz Naval, José Vieira, acrescentaram agora os seus filhos, o Aires e a Julieta e a Maria Fernanda, filha do José Vieira.

Estes espectáculos eram constituídos, dum modo geral, por duas peças teatrais e um acto de variedades. Assim, em 26 de Maio de 1940, apresentaram-se em Valada, com uma comédia em um acto, “Como Elas se Arrumam”, a comédia em dois actos, “O Ferro Velho” e um Acto de Variedades”.

Curiosamente, em 7 de Julho do mesmo ano, 1940, o mesmo Grupo Dramático Dr. Marcelino Mesquita, apresenta-se de novo em Valada, com a comédia “Hospedaria do Tio Anastácio”, um Acto de Variedades, com monólogos, diálogos e duetos, e uma peça musicada em um acto, onde já há mulheres no elenco: Emília Quaresma, Maria Fernanda Vieira, Ester Carneiro Gonçalves, e Natália Carneiro Gonçalves, que ainda está entre nós, e testemunha entusiasticamente estes tempos da sua juventude.

Estas peças eram acompanhadas ao piano por um pianista do Olimpia Club de Lisboa, António Ramon Navarro, mais tarde substituído pela conterrânea Manuela Ramos.

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As músicas, assim, como as peças, eram compradas em Lisboa, mas as letras eram da autoria do Dr. Egas e do Aires, filho do Luiz Naval.

As peças eram apresentadas normalmente pelo Natal; não tinham fins lucrativos; só era necessário pagar as despesas.

Em 1945/46, criou-se outro grupo de teatro, afecto ao Grupo Desportivo, liderado por João da Silva Pimenta e por Susana Ramos da Silva Pimenta, mas já com finalidade económica, ajudar o Grupo Desportivo; só entravam homens; e as representações realizavam-se nas instalações da S.F.I.P. na Rua da República.

No início dos anos 50, forma-se um outro grupo de teatro, penso que dedicado à infância, liderado pela Rosália Areosa, (Mizala) e levam à cena, “A Bela Adormecida”, “A Gata Borralheira”, “O Capuchinho Vermelho”, “O Lago dos Cisnes”, “Soldadinhos de Chumbo”.

Muitos elementos do elenco destas peças, assim como a ensaiadora Mizala, estão felizmente entre nós: José Rato Vieira, Antonieta Miranda, (Nêta), Manuela e Carlos Quaresma, José Manuel Miranda, José Eduardo Mila, Ana Maria Centeno Eduarda Brogueira, Maria dos Anjos Vieira e, possivelmente, mais alguém que não chegou ao meu conhecimento.

Mas em Pontével, o teatro continua e, nos finais dos anos 50, criou-se outro grupo de teatro ligado à S.F.I.P., dirigido por Luís Eugénio Filipe, de que darei continuidade no próximo número.

*A autora não adota o novo acordo ortográfico.

 

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