Trabalhadores da ex-Impormol lutam por postos de trabalho

 

Os trabalhadores da ex-Impormol concentraram-se na manhã desta segunda-feira em frente à Câmara do Cartaxo para continuar a exigir solução para a viabilização da empresa.

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Ao todo, são 180 trabalhadores, 111 dos quais residentes no concelho do Cartaxo, que se viram recentemente confrontados com o fantasma do desemprego.

Recorde-se que estes trabalhadores receberam, no dia 7 de abril, uma carta, a informá-los da dispensa de apresentação ao serviço. Na altura, foi explicado que a paragem na produção se devia ao facto de o cliente responsável pelo escoamento de 98 por cento da produção ter cessado o vínculo com a empresa.

Entretanto, mais tarde, os trabalhadores ficaram a saber que já deu entrada o processo de insolvência da Frauenthal Automotive Azambuja.

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As câmaras do Cartaxo e de Azambuja têm estado sempre ao lado dos trabalhadores, promovendo reuniões com os ministérios da Economia e do Trabalho, com o IEFP, com o administrador da empresa e com a Comissão de Trabalhadores e acompanhando-os em ações de protesto em Lisboa.

A ação de hoje visou, uma vez mais, chamar a atenção do País para este problema e para o facto de os trabalhadores quererem continuar a trabalhar.

impormol_2Fernando Pina, delegado sindical, assegurou que “os trabalhadores desta empresa estão disponíveis para trabalhar como sempre estiveram e continuam a mostrar a sua preocupação em relação a todo o seu futuro”. O sindicalista garantiu que “esta é uma empresa viável, deve continuar a laborar, tenha ela o nome de Frauenthal, tenha outro nome qualquer. Interessa é que a empresa volte a laborar”.

Belmiro Melo, da Comissão de Trabalhadores, lembrou que os trabalhadores estão “mal, porque são pessoas que já lá trabalham há muitos anos. Eu já lá trabalho há 25 e tenho colegas que lá trabalham há 40. Nunca pensámos que isto ia acontecer, porque no dia 1 (de abril) entregaram-nos uma carta em como os contratos com a Mercedes estavam todos bem para continuar; ao fim de sete dias deram-nos uma carta de suspensão de produção”.

O vencimento de abril foi recebido pelos trabalhadores. O vencimento de maio “é outra luta que a gente tem com eles, porque eles dizem que há dinheiro. Estavam para entrar quatro milhões de euros na empresa, e as dívidas que eles contraíram, porque não existiam dívidas na empresa, foi desde que eles mandaram parar a produção. São 2,8 milhões. Há dinheiro para pagar os ordenados”, acrescentou Belmiro Melo. Os trabalhadores reuniram com o administrador, “pedimos-lhe. Disse que ia falar com o administrador de insolvência se dava para pagar os ordenados às pessoas”, referiu.

Esta ação contou com a presença de Isabel Pires, do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, A deputada lembrou o problema de fundos privados, “cujo único objetivo é o lucro” tomarem conta de empresas, que é “o despedimento de trabalhadores, a curto, médio ou a longo prazo”. Isabel Pires assegurou que o Bloco vai continuar a pugnar por que sejam feitos “todos os esforços junto do Ministério da Economia, para que exista alguma pressão, algum diálogo, para que exista uma solução para esta empresa, que é viável”, reforçou.

Igualmente presente nesta ação esteve Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, numa ação integrada na Semana de Luta da CGTP.

O dirigente referiu que “a vossa luta não só está a despertar a atenção para a exigência de resposta aos vossos legítimos objetivos, como também está a ganhar amplitude do ponto de vista da solidariedade, de que hoje mais do que nunca nós precisamos”.

“Hoje estamos a falar de uma questão concreta. Estamos a falar do emprego e da produção nacional. Sim, porque aquilo que neste momento está em jogo são 180 postos de trabalho, que eventualmente estão a ser postos em causa, mas não só, porque está a ser posta em causa a produção nacional, de uma empresa que deu provas seguras de qualidade, de credibilidade, particularmente no mercado externo”, prosseguiu.

Os trabalhadores foram, depois, encaminhados para o salão nobre da autarquia, onde Pedro Ribeiro, presidente do Município, teve oportunidade de fazer um ponto de situação do processo – as reuniões com os ministérios e com o IEFP, os planos que estão a ser traçados pelo setor de Ação Social do Município, e o envolvimento do AICEP na procura de investidores interessados na empresa, entre outras diligências que estão a ser desenvolvidas.


 

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