Transporte fluvial de mercadorias até Valada

 

Coisas da Economia de cá e de lá, por Renato Campos

Renato CamposDe um modo geral os grandes rios desempenham um importante papel no desenvolvimento das terras que percorrem. Isto acontece na Europa onde constituem importantíssimas vias fluviais para o transporte de mercadorias e pessoas, sobretudo, entre o norte e o sul do continente.

Em Portugal, inexplicavelmente, com a excepção de ambientalistas, pouco se liga aos rios e estes, para além das funções de irrigação e de fonte de água potável, raramente se assumem como vias de transporte ou, sequer, desempenham qualquer outra forma no processo de alavancagem no desenvolvimento das regiões onde correm. Uma boa excepção tem sido o caso do rio Douro, que nos últimos anos tem sabido implementar um projecto moderno, estruturado e modelar, que transformou o rio numa importantíssima via fluvial promotora do desenvolvimento integrado da região duriense.

Infelizmente o Tejo, o maior rio ibérico, malgrado alguns projectos importantes que foram morrendo em pilhas de papel, nunca conseguiu ser um importante factor de desenvolvimento integrado da região ribatejana. Antigos problemas ambientais, têm limitado as suas potencialidades, afectado as suas funções de irrigação e de abastecimento de água, como também as actividades lúdicas e de turismo. Estas limitações do rio, têm vindo a ser consideravelmente agravadas por algumas medidas do Plano Hidrológico Espanhol, especialmente pelo efeito dos transvases que estão a ser praticados, desviando os caudais do Tejo espanhol para outras bacias hidrográficas no sul de Espanha. Por via disso, o Tejo ribatejano tem-se transformado, em certas ocasiões, numa autêntica auto-estrada de areia o que, convenhamos, não será esse o seu desejado aproveitamento.

Apareceu agora a notícia no semanário “O Ribatejo”, de que um grupo privado vai investir 2 milhões de euros para a navegabilidade do rio entre Lisboa e Valada. Isto através de um rebocador-empurrador, construído de novo, que vai operar como transporte de mercadorias, começando já pela construção de um cais em Castanheira do Ribatejo. Extraordinário, se não for mais um dos muitos projectos que vão morrer na praia! No entanto, parece-me que previamente haverá muita coisa a fazer, sobretudo no caso de Valada. Sem um grande desassoreamento do rio e da regularização dos caudais, não será possível a sua navegabilidade de uma forma regular para barcos de maior calado. Partindo-se do princípio que estes problemas serão equacionados, então haverá que construir em Valada um cais operacional para transporte de mercadorias. Por fim, resta ainda a importantíssima questão de saber que tipo de mercadorias esta região está preparada para escoar e receber por via fluvial com viabilidade económica. Valada bem precisa urgentemente deste “empurrão” estratégico. Para isso, há que procurar respostas atempadas para estas questões, antes que apareça o barco e não haja cais nem mercadorias!


 

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