Presidente da Câmara do Cartaxo e o vereador socialista voltam a protagonizar momentos de tensão na última reunião do executivo municipal, na quarta-feira 16 de setembro.
A troca de argumentos entre os dois eleitos gerou momentos de tensão e voltou a evidenciar as diferenças políticas existentes. De um lado, o presidente da Câmara, social democrata, realçou a estabilidade financeira, a redução da dívida e o aumento do investimento, nas contas do primeiro semestre. Do outro, o vereador socialista, na oposição, concentrou-se na execução orçamental, que considera baixa, na concretização dos projetos inscritos no orçamento, e no aumento da despesa.
Câmara do Cartaxo reforça investimento e reduz dívida no primeiro semestre de 2026
A Câmara Municipal do Cartaxo apresentou, no dia 16 de setembro, durante a reunião do executivo camarário, a análise da situação económica, financeira e orçamental do município relativa ao primeiro semestre de 2026. Os dados apresentados apontam para uma evolução positiva das contas municipais, com crescimento significativo do investimento, redução do endividamento e manutenção de uma tesouraria considerada saudável.
A Câmara do Cartaxo está a pagar aos fornecedores “atempadamente” e mantém “capacidade financeira” para cumprir os compromissos assumidos e prosseguir a execução dos projetos previstos, os fundos disponíveis são “positivos”, refletindo uma situação de tesouraria sólida, destacou João Heitor.
Entre os principais resultados apresentados está a redução do excesso de dívida em cerca de 670 mil euros face ao início do ano e relativamente ao valor inicialmente estimado. O presidente da Câmara garantiu ainda que o empréstimo do Fundo de Apoio Municipal continua a ser cumprido “rigorosamente”, acrescentando que, tendo em conta a evolução registada, o município estima alcançar o equilíbrio financeiro já em 2029. As contas municipais apresentam ainda um resultado líquido positivo de 3,07 milhões de euros e um equilíbrio orçamental de 2,49 milhões de euros. Para o executivo, estes valores confirmam a capacidade do município para manter o rigor financeiro, cumprir as suas obrigações e, simultaneamente, acelerar o investimento no concelho. João Heitor salientou também a capacidade de captação de financiamento externo, nomeadamente através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Este apoio está a permitir concretizar investimentos considerados estruturantes para o Cartaxo, como a requalificação da Escola D. Sancho I, a construção do Centro de Saúde e da Loja do Cidadão.
“Os resultados do primeiro semestre de 2026 permitem tirar conclusões bastante claras. Continuamos a fazer um caminho de solidez financeira e, ao mesmo tempo, a conseguir investir mais”, afirmou o autarca.
Ricardo Magalhães faz uma avaliação negativa dos resultados alcançados nos primeiros seis meses do ano e contesta a interpretação apresentada pelo presidente da Câmara
A leitura dos números apresentados pelo presidente da Câmara não foi, contudo, partilhada pelo vereador do Partido Socialista, Ricardo Magalhães, que fez uma avaliação negativa dos resultados alcançados nos primeiros seis meses do ano e contestou a interpretação apresentada pelo presidente da Câmara. Para o vereador socialista, os dados revelam um aumento da despesa, “de mais de 400 mil euros, que é um valor bastante elevado e não terá apenas a ver com questões de inflação”, nomeadamente ao nível dos “fornecimentos e serviços externos de 14,5%”, com transportes escolares, “quase 39 mil euros de aumento, 109%. Houve aqui uma duplicação dos gastos ao nível de transportes”.
Segundo Ricardo Magalhães, o município está a ficar “bastante aquém na capacidade de execução” 24,79%, dos investimentos previstos, o que na sua perspetiva, será “difícil corrigir” essa diferença durante os seis meses que restam até ao final do ano. O líder do PS e vereador da oposição na Câmara municipal diz que o município “continua a falhar na execução dos investimentos que tem previstos, ou isso ou há um muito mau planeamento daquilo que são os investimentos para cada ano”. Ricardo Magalhães utilizou a Loja do Cidadão como exemplo das dificuldades de execução.
A crítica, sustentou, torna-se particularmente evidente quando são analisadas as receitas de capital. De acordo com os números apresentados pelo vereador socialista, estas receitas encontravam-se, no final do primeiro semestre, em 24,52% do valor previsto para todo o ano — um resultado que considerou “bem abaixo do que seria previsto nesta fase do ano”.
Quanto ao plano plurianual de investimentos para a agricultura, “existe aqui uma rubrica residual. De conservação e denunciação de estradas e caminhos rurais e agrícolas. Em que estão lá colocados mil euros. Um bocadinho por estar. Porque a execução é zero”. Tendo a agricultura a importância económica que tem, “parece-nos muito mal não haver aqui um plano. Continua a ser um deserto de ideias para os próximos anos. E não posso falar sequer de ambição porque não há sequer planeamento“, atira Ricardo Magalhães.
João Heitor defende aplicação de 8 milhões de euros e rejeita críticas à execução orçamental
O presidente da Câmara, João Heitor, defendeu a decisão de aplicar num depósito a prazo um excedente de tesouraria de oito milhões de euros, aprovado em dezembro de 2025, e rejeitou as críticas feitas pelo vereador do PS, Ricardo Magalhães.
“Continuamos a ter ali um valor de 8 milhões de euros cativado à espera da execução. E o tempo continua a passar. As coisas continuam a ficar mais caras. E cada vez conseguimos fazer menos coisas com estes 8 milhões de euros”, afirmou Ricardo Magalhães, que foi o único vereador a votar contra a aplicação do dinheiro. Para o eleito socialista, trata-se de “uma má opção” do ponto de vista financeiro.
João Heitor respondeu que a atual gestão não pode ser comparada com a anterior. “Não sei se os senhores queriam que nós fizéssemos uma gestão parecida com aquela que vocês faziam antes. Que era uma coisa desequilibrada e que nos levou às dores que ainda temos hoje e vamos ter durante muitos anos”, afirmou.
O autarca explicou que parte do dinheiro previsto no orçamento para investimentos e obras não terá execução imediata, podendo, por isso, ser aplicado temporariamente. Segundo João Heitor, o investimento gerou, apenas no primeiro semestre, 80.400 euros em juros. “A isto chama-se valorizar recursos”, sublinhou.
O presidente da Câmara contestou também a leitura dos dados da execução orçamental apresentada pelo vereador do PS. A execução da receita atingiu 37,3% no primeiro semestre, e, de acordo com João Heitor, este valor deve ser comparado com os 50% correspondentes ao período já decorrido. Feita essa correção, a execução situar-se-ia nos 74,26%. Nas receitas correntes, acrescentou, a execução alcançou 95,74%.
Quanto ao aumento da despesa, João Heitor reconheceu a existência de maiores encargos, nomeadamente com honorários e contratação de pessoal, “temos, naturalmente, que ter mais pessoas, para nos ajudar”, mas garantiu que as contas municipais continuam equilibradas. “Mantemos todo um equilíbrio orçamental, mantemos uma estrutura financeira saudável e estamos a entregar mais à nossa comunidade”, declarou.
“Executamos mais do que alguma vez aqui foi executado”, concluiu João Heitor, garantindo que a Câmara cumpre as suas obrigações, mantém a saúde financeira e continua a reforçar a resposta à comunidade.
O último a intervir na discussão do ponto foi José Luís Albuquerque, o vereador do Partido Chega, em substituição de Luísa Areosa, considera que relativamente à execução orçamental e investimento “os indicadores financeiros são positivos, revela ainda um rigor na utilização dos dinheiros públicos, isso é positivo, portanto, temos um resultado de cerca de 3 milhões de euros”.