Vacinas da gripe não chegam para as encomendas

Este ano, as vacinas da gripe não são suficientes para a procura, nem mesmo para quem faz parte dos grupos de risco e as farmácias sentem-se incapazes de dar resposta aos utentes. A Farmácia Abílio Guerra, que não é exceção, recebeu cerca de 60 por cento das vacinas pedidas e agora vê-se a braços com a extensa lista de reservas.

“A Farmácia Abílio Guerra este ano recebeu cerca de 60 por cento das vacinas pedidas, a distribuição foi feita em duas fases: a primeira, na segunda quinzena de outubro e a segunda fase na segunda quinzena de novembro”, conta ao Jornal de Cá Maria Beatriz Rodrigues, da Farmácia Abílio Guerra, no Cartaxo.

“Devido ao aumento da procura, a Farmácia tentou aumentar o seu stock de vacinas em comparação com o ano anterior, tendo pedido mais 20 por cento da quantidade dispensada face ao ano de 2019”, mas “a quantidade recebida foi menos 20 por cento” da que receberam no ano passado, diz Maria Beatriz, reforçando que “não foi a quantidade encomendada, mas a quantidade que o fornecedor conseguiu disponibilizar face ao número de vacinas recebidas”.

Com a vacinação da gripe nas farmácias a começar no dia 19 de outubro, as vacinas foram disponibilizadas às farmácias dia 17 de outubro e, “com o aumento da procura, o stock da Farmácia Abílio Guerra durou cerca de duas semanas”, explica a farmacêutica.

“Uma vez que a distribuição das vacinas foi feita em duas fases e à data ainda estamos a vacinar a segunda distribuição das vacinas, não sabemos quantas pessoas irão ficar por vacinar, mas sabemos que as vacinas não irão dar para todos, como confirma a Health Market Research.” De acordo com Maria Beatriz, “na primeira fase de vacinação ficaram cerca de 300 pessoas por vacinar, no entanto por aconselhamento na Farmácia, algumas foram encaminhadas para o Centro de Saúde que ainda tinha vacinas, nomeadamente, pessoas com mais de 65 anos e doentes de risco”.  Relativamente ao protocolo entre a Câmara Municipal do Cartaxo e a Dignitude, Maria Beatriz explica que “incluiu 540 doses de vacinas para população com mais de 65 anos, sendo esta quantidade distribuída de forma igualitária pelas sete farmácias aderentes, no concelho, resultando em 77 vacinas por farmácia”, administradas gratuitamente.

A questão que se coloca, neste momento, é que “como a lista de reservas é longa e apesar de algumas pessoas já terem sido vacinadas pelo centro de saúde, a procura continua a ser muita e a quantidade disponibilizada pouca, em comparação com a procura”, desabafa a farmacêutica que todos os dias se depara com utentes “ansiosos com a espera, uma vez que têm reservas desde outubro e continuam sem resposta quanto à vacina”. Um problema que afeta a maioria das farmácias e que deixa para trás cidadãos que fazem parte dos grupos de risco.

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