Freguesias

Vale da Pinta dá início a quatro dias de festa em honra de Nossa Senhora da Graça

Começa hoje a festa de Vale da Pinta, organizada pela Sociedade Cultural e Recreativa, com o apoio da União de Freguesias do Cartaxo e Vale da Pinta. É a segunda vez que a coletividade assume a organização dos festejos em honra de Nossa Senhora da Graça.

By Jornal de Cá

August 28, 2026

O Jornal de Cá esteve no recinto da festa, junto à sede da Sociedade Cultural e Recreativa de Vale da Pinta, à conversa com o presidente da direção da coletividade, Fernando Ramos, sobre a organização dos festejos e o trabalho desenvolvido pela instituição ao longo do ano.

Fernando começa por explicar que “a direção da Sociedade Cultural entendeu que não devíamos deixar morrer uma tradição secular da nossa freguesia”. Perante a ausência de uma comissão de festas, a coletividade decidiu, há cerca de dois meses, assumir a organização dos festejos, procurando, ao mesmo tempo, “juntar o útil ao agradável”, uma vez que a realização da festa permite também “fazer face às despesas que esta instituição tem”.

Segundo o presidente da direção, a Sociedade Cultural e Recreativa não tem fins lucrativos e, para colmatar as várias despesas, “temos de fazer muitos eventos ao longo do ano”. Foi nesse sentido que a direção decidiu “agarrar a festa anual”, esperando que, no final, “possamos sorrir com um sorriso do tamanho do mundo”, sinal de que “as coisas correram bem”.

Este ano, os festejos decorrem junto à sede da Sociedade Cultural e Recreativa, tal como aconteceu em 2005, quando a coletividade organizou a festa pela primeira vez. Fernando Ramos explica que, este ano, a organização foi feita “de outra forma, já muito melhor”, uma vez que o espaço utilizado para o arraial passou a estar disponível através de um contrato de comodato. A alteração permitiu melhorar as condições do recinto e proporcionar “algum conforto” às pessoas que visitam a festa.

Quanto ao programa, o presidente da direção destaca a abertura, esta sexta-feira, dia 28, pelas 19h00, com a atuação da banda da Sociedade Cultural e Recreativa de Vale da Pinta. No sábado, dia 29, realça a atuação dos Primos da Gaita, grupo que considera ser “pessoal da casa”. Para domingo, dia 30, está previsto o peditório, acompanhado pela banda da coletividade, pelas 09h00, seguindo-se, pelas 17h00, a procissão em honra de Nossa Senhora da Graça. Já na segunda-feira, dia 31, o programa inclui jogos tradicionais e um concerto da banda da Sociedade Cultural e Recreativa. Está ainda prevista a entrega da bandeira à comissão de festas do próximo ano, “se aparecerem”.

Além da organização da festa, a Sociedade Cultural e Recreativa de Vale da Pinta mantém várias atividades ao longo do ano, entre as quais se destacam a banda filarmónica e a escola de música.

Fernando Ramos assume que um dos objetivos da direção passa por “fazer voltar a orquestra juvenil, que já existiu em tempos”. O dirigente recorda o percurso da antiga formação, considerando que “nenhuma orquestra do país fez aquilo que a nossa fez”, uma vez que “esteve a tocar na Alemanha, em várias cidades, e teve a tocar na Câmara Municipal de Berlim”. Para Fernando, “não é qualquer uma que faz isso”.

Atualmente, a coletividade continua a apostar na formação de crianças e jovens, com o objetivo de reforçar a escola de música, uma atividade que, segundo o presidente, “tem custos” e que é também uma das razões que levou a direção a assumir a organização da festa.

A banda filarmónica conta atualmente com cerca de 30 músicos e é dirigida pelo maestro Carlos Gonçalves, que também coordena a Banda da Sociedade Filarmónica Cartaxense. Fernando considera que o maestro “está a fazer um bom trabalho” e garante que a direção “está satisfeita” com o trabalho desenvolvido.

Na escola de música são lecionados vários instrumentos, desde o trompete ao saxofone, contando atualmente com 16 alunos. A coletividade disponibiliza ainda aulas de karaté, que reúnem cerca de 30 praticantes.

Para o futuro, Fernando Ramos, que participou na fundação da coletividade, em 2001, afirma que “o projeto é sempre elevar ao máximo a imagem, a força e a dinâmica desta casa”, algo que, garante, “é o que nós fazemos”.

A direção procura também “que os sócios se sintam bem nesta coletividade”, que conta atualmente com cerca de 500 associados. O presidente destaca ainda as condições da instituição, considerando que “têm uma boa esplanada e boas condições” e que o objetivo passa por “dar continuidade” ao trabalho desenvolvido.

Para Fernando, o trabalho da coletividade contribui também para a valorização da freguesia e do próprio concelho, uma vez que “o bom nome da Sociedade Cultural é extensível ao nome do concelho do Cartaxo”.

Como mensagem final, o presidente da direção deixa um apelo aos dirigentes das coletividades: “não deixem morrer aquilo que têm nas suas freguesias”. Fernando Ramos reconhece que “têm de trabalhar muito para sobreviver”, mas considera que “a força maior de qualquer concelho são sempre as pessoas”, muitas das quais “estão ligadas às instituições”.