Vila Chã de Ourique já tem executivo em funções

Junta Freguesia Vila Cha OuriqueChegou ao fim o braço de ferro de 17 meses. Uma solução inesperada resultou num executivo tripartido mas unido e de mangas arregaçadas para trabalhar e recuperar o tempo perdido. Até já pintaram o edifício da Junta com as próprias mãos.

Em Vila Chã de Ourique o novo executivo da Junta de Freguesia, eleito na Assembleia realizada no passado dia 20 de março, começa a enviar para o exterior sinais de união e vontade de levar o mandato até ao fim. O novo presidente, Vasco Casimiro (PS), o tesoureiro, Carlos Albuquerque (PV-MPC) e o secretário, Domingos Alves (PSD), acompanhados pela presidente da Mesa da Assembleia, Dília Canais (PSD) e mais alguns vogais, tiveram a iniciativa de, no sábado, dia 27, pintar, limpar e embelezar o edifício da Junta. Foi uma “ação necessária”, explica o presidente “porque além de muito desarrumado e sujo o edifício, tanto no exterior como no interior, estava a precisar de pinturas urgentes. Em conversa entre nós surgiu a ideia de metermos mãos à obra e toda a gente colaborou”.
Esta ação faz parecer que o braço de ferro entra as três forças políticas mais votadas terá chegado ao fim, existindo hoje um clima de cooperação entre todos. Embora o olhar seja para o futuro, não se deixa de pensar como é que uma situação destas foi acontecer. Embora com algumas variações é claro que do “apego à cadeira”, referido por Carlos Albuquerque, ou o “bloqueio grande à resolução do problema”, apontado por Dília Canais, passando pela noção que o problema “foi mais pessoal que político” na opinião de Vasco Casimiro, até ao “há coisas que nem a própria razão consegue explicar” dito com um sorriso por Domingos Alves, todos os dedos apontam para a antiga presidente, sobretudo por não ter nunca mostrado capacidade de fazer cedências e ter teimado na questão da ilegalidade da Assembleia, numa altura em que o PSD, como refere Dília Canais, “cedeu na solução tripartida para o executivo”.
Mas se a situação encontrada reúne consenso neste momento, não foi exatamente à mesa de negociações que se chegou até aqui. Embora o diálogo tenha passado a ser a nota dominante depois da renúncia de Conceição Nogueira, a verdade é que na Assembleia de 20 de março o que se esperava é que Vasco Casimiro convidasse um dos vogais do PS para integrar o executivo. Acontece que estes três eleitos pelo Partido Socialista não compareceram na reunião obrigando a que o novo presidente convidasse então Domingos Alves e enveredasse em definitivo pela solução de executivo tripartido. Esta falta de comparência dos eleitos do PS à Assembleia de Freguesia levou igualmente a que, em cima do acontecimento, fosse endereçado o convite a Luís Vieira, eleito pela CDU, para vogal da mesa da Assembleia. A aceitação já custou ao autarca a retirada da confiança política por parte da CDU.
E agora, no momento em que Vasco Casimiro garante que o critério que seguiu foi “meter a terra e a população à frente de qualquer outro interesse”, a CDU ameaça impugnar todos os atos realizados mantendo desta forma a incerteza sobre a possibilidade de estabilizar os serviços de uma junta onde as contas de 2013 e 2014 estão para fechar e onde não existe orçamento para o ano corrente, além dos dois concursos para pessoal, um que está para terminar e outro para publicação.
Para complicar a tarefa dos novos responsáveis da Junta de Vila Chã o cenário com que depararam incluía um computador avariado, com programas apagados e outro, portátil, com o disco rígido danificado, além de estar a ser difícil encontrar contratos, tanto de pessoal como de fornecedores, sobretudo porque não houve uma normal passagem de testemunho. Vasco Casimiro, que em relação aos computadores garante não estar a fazer “qualquer espécie de acusação a ninguém” relevando estar apenas a “relatar fatos”, confidencia que a antiga presidente se disponibilizou para, na próxima semana, dar uma ajuda a resolver qualquer dúvida”.
Com ajuda ou sem ela, quase todos os eleitos em Vila Chã de Ourique parecem convictos que o mandato é para levar até ao fim. Carlos Albuquerque acha até que “além de terminarmos o mandato ainda o faremos com um balanço positivo apesar de todo este tempo perdido”. Dília Canais enfatiza o estado de espírito da equipa e garante que este foi o motor da resolução do problema: “não estamos neste momento a pensar em termos de partidos políticos mas na melhor forma de resolver os problemas da terra” afirma. Nesta matéria também Vasco Casimiro se mostra confiante: “apesar das notícias sobre uma possível impugnação estou confiante. O bom senso vai acabar por imperar”.

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