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Violência doméstica continua a ser a situação mais sinalizada na CPCJ do Cartaxo

O Jornal de Cá esteve à conversa com Rita Rodrigues, Inês Marcelino e Ricardo Neves, profissionais da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) do Cartaxo, que esclareceram alguns dos dados do relatório anual, apresentado na última Assembleia Municipal do Cartaxo, no dia 30 de junho. Em 2026 o número de novos processos já ultrapassou os registados em todo o ano de 2025. A violência doméstica continua a ser a situação mais sinalizada.

By Jornal de Cá

July 27, 2026

A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens do Cartaxo apresentou o relatório anual de 2025 na Assembleia Municipal. Rita Rodrigues e Inês Marcelino, representantes da CPCJ, avançam que o número de novos processos registados em 2026 já ultrapassam o total registado em 2025.

A violência doméstica continua a ser a situação mais sinalizada, não existindo ainda dados consolidados relativos ao corrente ano, e a tipologia CJACABED (Criança assume comportamentos que colocam em causa o seu desenvolvimento e bem-estar) também tem vindo a aumentar, nomeadamente “os comportamentos autolesivos e as tentativas de suicídio”.

Em 2025, foram abertos 108 novos processos e até 22 de julho deste ano já foram abertos 119 novos processos. Rita Rodrigues esclarece que “nem todas as sinalizações são instauradas”, porque “em algumas consideramos que não há matéria de perigo dentro das tipologias que nós temos” e “são devolvidos à entidade de primeira linha”. Há ainda outros processos em que verificam logo que a criança já tem processo em tribunal e, por isso, passa diretamente para o mesmo. No que diz respeito à entidade sinalizadora, verificou-se um aumento significativo de sinalizações vindas do Ministério Público, “que este ano tem mandado muito mais sinalizações do que, pelo menos, no ano passado”.

Questionados sobre se a violência no namoro também estava presente nos números apresentados, disseram que era um caso único e não quiseram adiantar muito. Acreditam que “há muita violência no namoro e cada vez mais, mas não chega aqui”, especulando que “ou os miúdos normalizam os comportamentos ou não chegam ao conhecimento das famílias ou da escola”. A maioria destes casos só chega às CPCJ quando “escalam para patamares em que as crianças têm de ser hospitalizadas ou quando envolve as forças de segurança, que remetem os casos para a CPCJ”. Referem ainda que a violência pode não ser propriamente física, mas sim psicológica, como, por exemplo, o controlo. Estes profissionais acabam por perceber, em conversa com alguns jovens, que “é muito comum neles o namorado ou a namorada querer ver o telemóvel, mas isso não chega cá”. Esclarecem também que estes tipos de casos são tratados muito à semelhança dos casos de violência doméstica, “nós chamamos sempre primeiro a vítima, nunca chamamos vítima e agressor ao mesmo tempo”.

Acreditam que a prevenção para a violência no namoro passa por “haver ações de sensibilização mesmo entre o grupo de pares, porque normalmente quem tem conhecimento destas situações são os colegas”, explicando que “se os colegas estiverem sensibilizados para o facto de que isso deve ser comunicado à comissão, podem eles próprios fazer uma denúncia anónima”. Acrescentam ainda que, para além de palestras nas escolas, deve “haver uma maior divulgação nas redes sociais e esclarecer o que é a violência no namoro”. Comportamentos como “ver as redes sociais, consultar o telemóvel, condicionar se vai com quem e vai onde, tudo isso é violência”. Defendem também que “os influenciadores podiam divulgar este tipo de coisas, porque, assim, mais facilmente os jovens acabariam por perceber os sinais e os riscos”.