Viver mais tempo e viver melhor

viver_mais_viver_melhorDentro de poucas décadas, um terço da população terá mais de 60 anos, o que provocará uma alteração profunda na estrutura social. A questão é saber se estamos preparados para isso

A espécie humana está a passar por uma transformação radical, as pessoas vivem vidas mais longas e mais preenchidas e isso terá implicações nas sociedades mais desenvolvidas.
Há mais pessoas do que nunca a viver para lá dos 70, 80 e 90 anos. As pessoas estão a viver mais tempo e, na maioria dos casos, com vidas mais produtivas que os nossos antepassados. Muitos cientistas acreditam que esta é a mudança mais radical desde que surgiu a civilização humana.
A população mundial está a mudar mais rapidamente que nunca. Segundo as Nações Unidas, o número de pessoas idosas triplicou entre 1950 e 2000 e vai triplicar de novo nos próximos 40 anos. Dentro de algumas décadas, um terço da população do mundo desenvolvido terá mais de 60 anos.
Nunca na história da humanidade tivemos uma sociedade em que tantas pessoas tivessem tido o privilégio de viver a velhice, o que pode ser bom ou mau. Ter um número significativo de pessoas mais velhas terá um enorme impacto na sociedade e irá obrigar-nos a colocar uma série de questões fundamentais. Será que queremos viver mais? Será que podemos sustentar os sistemas de segurança social e de saúde? O que é que a terceira idade vai significar para nós? Segundo os estudiosos, haverá mudanças radicais que, sendo planeadas de forma correta, podem tornar os nossos anos mais avançados nos melhores.
Na Europa e na América do Norte, em meados do século XIX, as pessoas mais pobres tinham uma esperança média de vida que rondava os 38 anos, qualquer coisa para além disso era considerado um caso raro, a mortalidade infantil e juvenil era extremamente elevada. Uma grande percentagem das crianças abaixo dos dez anos morria. Nessa época havia tão pouca gente idosa que a sociedade, naturalmente, os tinha em grande consideração e os venerava pelo seu conhecimento e experiência.
A meio do século XX, com a melhoria das condições de vida, mais pessoas começaram a sobreviver à infância, uma conquista fundamental da Humanidade. É nesta altura que, a esperança de vida começa a aumentar e ainda continua, a um ritmo constante.

Viver melhor
Hoje, em Portugal, as mulheres têm uma esperança de vida de 81 anos e os homens de 76. Uma dieta melhor, mais escolarização e formação, em conjunto com a melhoria dos cuidados médicos, contribuiu para o aumento da esperança de vida. No estado atual de crise económica em que vivemos, até pode ser difícil aceitar, mas vivemos melhor do que os nossos avós e bisavós. A vida moderna é mais fácil, com menos tensão e mais satisfatória, temos melhor comida e melhores condições de higiene e mais tempo de descanso. E isto não é apenas um fenómeno ocidental, está a haver um aumento da percentagem dos mais velhos em relação aos mais novos, mesmo em países em vias de desenvolvimento. Estas mudanças na longevidade constituem um desafio a ter em conta nas infra-estruturas dos países.
Quando se fala em esperança de vida, é bom recordar que quando dizemos que as pessoas no passado tinham uma esperança de vida de 50 anos, quer dizer que a média de idade da morte era de 50 anos. Havia pessoas que também viviam até aos 70 ou 100, mas a diferença agora é que temos uma grande massa de gente com 70 ou 80 anos, ao mesmo tempo. De acordo com as previsões do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2060 haverá mais de três milhões de pessoas com mais de 65 anos, tendo a maior parte delas mais de 80 anos.

Mudanças radicais
Hoje em dia, há apenas seis pessoas a pagar impostos para sustentarem as necessidades de um reformado, reforma e cuidados de saúde. Nas próximas décadas, a proporção vai ficar de dois para um e isto não é sustentável, sendo necessário passar a olhar de forma totalmente nova para a forma como funcionamos.
Quando as pensões foram introduzidas de forma universal poucas pessoas chegavam à idade da reforma. Hoje em dia, a maior parte das pessoas espera viver muito além dos 65 anos. A idade dos 65 anos foi estabelecida como padrão por Bismarck, na Alemanha, no século XIX, quando introduziu as pensões na Alemanha, porque percebeu que pouca gente vivia para além dos 65 anos. Assim, não teria de pagar muitas pensões. Uma das razões pelas quais vários Estados mundiais defendem o aumento da idade da reforma é que as pessoas vivem cada vez mais tempo, passam uma maior parte da vida em idade de reforma e claro que o custo disto, por indivíduo, aumenta.
Nas próximas décadas vamos assistir a mudanças radicais na área da reforma e das pensões, mas serão mínimas em comparação com o que assistiremos nos serviços de saúde, um dos mais dispendiosos da sociedade. Uma população com muitos idosos, como se prevê que irá acontecer nas próximas décadas, vai exigir uma grande alteração no sistema de serviço nacional de saúde. Um dos maiores desafios será a saúde na terceira idade.
Teme-se que no futuro não haja hospitais suficientes, nem enfermeiros, nem médicos para tomar conta das pessoas, tal como se faz hoje. Se viver até aos 90 anos for a norma, temos de mudar radicalmente a forma como vivemos.

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