Viver plenamente em comunidade

Numa época em que todos corremos de um lado para o outro, perderam-se hábitos que antes estavam enraizados na sociedade. O respeito pelo outro e por si próprio é um deles, e grassa por aldeias, vilas e cidades

 

ci·vis·mo
(francês civisme)
substantivo masculino

Zelo em contribuir para o interesse público

Respeito pelos valores de uma sociedade, pelas suas instituições e pelas responsabilidades e deveres do cidadão.

“civismo”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/civismo [consultado em 23-09-2016].

 

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É fácil encontrar uma definição de “civismo” nos muitos dicionários que hoje povoam a autoestrada da informação. E também é fácil colocá-lo em prática. Basta, para tal, ter realmente respeito pelo outro. Senão, vejamos: o que é que nos custa chamar o ‘carro dos monos’ para recolher os imensos resíduos de árvores e arbustos que tirámos do quintal? Basta ligar para a Câmara Municipal ou dirigirmo-nos ao local apropriado para deposição deste tipo de resíduos. Assim, evitamos que os nossos vizinhos sejam confrontados, na hora de colocarem o lixo nos contentores, com o facto de o não poderem fazer, por este se encontrar cheio ‘até à boca’ com pernadas de árvores, restos de relva e afins.

Até porque, garante a vereadora com o pelouro do Urbanismo na Câmara do Cartaxo, Sónia Serra, “todos os dias um carro dos serviços da autarquia anda pelas ruas a recolher monos e outros lixos domésticos que se encontrem junto aos contentores. Ainda assim, sabemos que não será possível fazer todas as recolhas atempadamente, pois a cidade é grande e o lixo, normalmente, vai sendo recolhido separadamente, ou seja, sem misturar os diferentes tipos de objetos e resíduos depositados junto dos contentores”.

Não obstante a existência deste veículo, a vereadora recomenda que o ideal será “as pessoas dirigirem-se ao Ecocentro e lá depositarem os seus lixos domésticos, que não são indicados para depósito nos contentores de resíduos urbanos”. O Ecocentro funciona das 9h às 17h30, “mas a Câmara Municipal pretende vir a abrir este serviço aos sábados”.

Todos sabem do que estamos a falar, mas também todos conhecem as consequências da má vizinhança… Aquele vizinho, que até era tão simpático, afinal, depois de nos pregar uma (merecida) descompostura, até deixou de nos cumprimentar e passou a ouvir música aos berros…

 

Será que tem mesmo necessidade de ir colocar o colchão que já não usa junto ao contentor, impedindo a passagem de peões pelo passeio? Se calhar, até pode esperar pela disponibilidade do veículo da sua Câmara Municipal ir lá buscá-lo, não?

Convenhamos: trata-se, apenas, de ‘ligar os sensores’ do bom senso. Até porque, como diz o povo na sua infinita sabedoria, “não faças aos outros aquilo que não gostavas que te fizessem a ti”.

O problema maior é quando o bom senso de uns choca frontalmente com a falta de civismo dos outros.

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Ainda não há muito tempo, um autarca do concelho do Cartaxo, em Vila Chã de Ourique,  relatava uma situação por si vivida, em que, deparando-se com uma deposição de resíduos num local não apropriado para o efeito, e ao chamar a atenção para esse mesmo facto, foi maltratado pelo prevaricador.

Bastava que este prevaricador tivesse aguardado pela segunda ou sexta-feira, diz em que é efectuada a recolha dos monos…

Há poucos dias, registou-se uma situação semelhante na zona do Sol Posto, à entrada de Vale da Pinta. Só que, desta vez, os infractores não foram identificados, o que já levou a Junta de Freguesia da União de Freguesias Cartaxo e Vale da Pinta a solicitar ajuda a quem possa ter presenciado esta deposição descontrolada de resíduos junto aos contentores de lixo.

Mas não se pense que o desmazelo é só do cidadãos comum. Na Ereira, por exemplo, os moradores queixam-se de não poderem efectuar a reciclagem de pilhas pelo simples facto de o ‘Pilhão’ colocado na localidade parecer estar esquecido pelos responsáveis, ou seja, pela Sociedade Ponto Verde.

Agora, perguntamos nós: será esta a sociedade que queremos, suja, cheia de resíduos nos locais mais impróprios, em que os habitantes não podem usufruir do espaço da melhor forma, em que alguns só pensam em si e nas suas necessidades?

Decididamente não, não é essa a sociedade que queremos e que devemos lutar para construir. E, aqui, devemos olhar para o exemplo de muitos dos pequenos que temos em casa. Na escola, é-lhes ensinado que não devem atirar lixo para o chão e muitos levam este conselho tão à risca que enchem os bolsos dos familiares dos mais variados desperdícios. “É para deitar no lixo, avô, porque não se deita lixo no chão”, dizem, depois de colocarem 352 papéis de rebuçado no bolso.

Neste tempo cada vez mais acelerado, não tome por mal empregues os minutos que gasta a colocar os lixos nos locais próprios. A sociedade (em geral) agradece. E nós também!


 

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