Escolher um videojogo para o verão: um guia para pais

Por Tiago Sousa, Diretor Geral da AEPDV (Associação de Empresas Produtoras e Distribuidoras de Videojogos)

As férias de verão trazem mais tempo livre, mais momentos de lazer em família e, para muitas crianças e jovens, a oportunidade de passar mais tempo a jogar videojogos. Não é por acaso que esta é também uma das épocas em que mais videojogos são oferecidos ou adquiridos. Perante a enorme oferta disponível, é natural que muitos pais se sintam pouco preparados para decidir qual o jogo mais adequado para os seus filhos.

A boa notícia é que não é necessário ser um especialista em videojogos para fazer uma escolha informada. Tal como acontece com os filmes ou as séries, existem ferramentas e funcionalidades que ajudam as famílias a garantir que a experiência é segura, adequada à idade e equilibrada.

O primeiro aspeto a considerar é a classificação etária. O sistema PEGI (Pan European Game Information) é utilizado em grande parte da Europa e permite identificar, de forma simples, a idade recomendada para cada videojogo e os conteúdos que este pode incluir, como violência, linguagem imprópria, medo ou compras dentro do jogo. Consultar esta classificação antes da compra é um passo essencial para garantir que o conteúdo corresponde ao nível de maturidade da criança.

Outro elemento que merece atenção são as compras dentro do jogo, conhecidas como microtransações. Muitos videojogos permitem adquirir conteúdos adicionais, como personagens, equipamentos ou itens estéticos. Em alguns casos, estas compras são opcionais; noutros, fazem parte do modelo de negócio do jogo. Conhecer previamente estas funcionalidades e conversar com os filhos sobre a utilização responsável do dinheiro em ambientes digitais contribui para desenvolver hábitos mais conscientes. Sempre que necessário, estas compras podem ainda ser restringidas através das definições da consola ou da plataforma.

Os controlos parentais constituem outra ferramenta que continua a ser pouco aproveitada por muitas famílias. Atualmente, praticamente todas as consolas e plataformas de videojogos permitem configurar limites de tempo, restringir conteúdos por idade, controlar as comunicações online e impedir compras sem autorização. Estas funcionalidades ajudam os pais a adaptar a experiência de jogo às necessidades de cada criança, promovendo uma utilização mais segura sem recorrer à proibição.

Por último, importa lembrar que o equilíbrio continua a ser o fator mais importante. As férias representam uma pausa na rotina escolar, mas continuam a ser uma oportunidade para diversificar experiências. Alternar o tempo de jogo com atividade física, leitura, brincadeiras ao ar livre e momentos de convívio ajuda a promover uma relação saudável não apenas com os videojogos, mas com a tecnologia em geral.

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Antes de adquirir um videojogo neste verão, vale a pena fazer quatro perguntas simples: É adequado à idade da criança? Verifique a classificação PEGI. Inclui compras dentro do jogo? Informe-se antes da compra. Os controlos parentais estão configurados? Aproveite as ferramentas disponíveis. O tempo de jogo será equilibrado com outras atividades? O equilíbrio continua a ser o melhor aliado de uma utilização responsável.

Os videojogos fazem hoje parte da vida de milhões de famílias e podem proporcionar momentos de aprendizagem, criatividade, diversão e convívio. O segredo não está em dizer “sim” ou “não” aos videojogos, mas em fazer escolhas informadas e acompanhar a experiência de jogo dos mais novos. Com informação, diálogo e algumas regras simples, é possível transformar as férias numa excelente oportunidade para jogar com responsabilidade.

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