Curta de jovem realizador do Cartaxo anda pelos festivais de cinema nacionais e já ganhou um prémio internacional

'Soldado de Goa', de Thomás Fenn, um jovem realizador de cinema natural do Cartaxo, conta a história de Fernando, um soldado português, preso em Goa durante a disputa entre Portugal e a Índia, nos anos 60 do século XX, que culminou na queda do Estado Português da Índia. É uma curta metragem inspirada numa história verídica. O filme tem andado em festivais e já recebeu alguns prémios.

‘Soldado de Goa’, venceu a melhor Curta Metragem Estudante, no Indian Indepedent Film Festival, o primeiro prémio internacional desta curta metragem, foi selecionado na 16ª edição do FESTin – Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, recebeu uma menção honrosa na 2ª edição do Altitude Film Fest, promovido pela TAP, foi nomeado no Festival Caminhos do Cinema Português, fez parte da ‘Official Selection’ do Leiria Film Fest e do Short Cutz Lisboa.

Thomás Fenn é o nome artístico de Thomás Ferreira, natural do Cartaxo, e ‘Soldado de Goa’ foi o trabalho de fim de curso da licenciatura em Cinema da Lusófona. O Jornal de Cá conversou com o Thomás e com a Beatriz Simões, assistente de realização e coordenadora de distribuição do filme.

Thomás nos bastidores, durante as filmagens

 

“O filme mostra a história deste barbeiro, o Fernando, que era um soldado português, que estava preso na Índia, em Goa, e mostra a relação positiva entre os soldados portugueses, prisioneiros, e os guardas, soldados indianos. É inspirado numa história verídica, do avô do João Alvarinhas, o diretor de fotografia”, conta Beatriz. “O filme passa-se durante uma guerra, mas não é um filme de guerra. Nós queríamos trazer algo positivo, esta conexão entre estes dois povos, no fundo”.

Beatriz Simões, considera que esta parte da história “dos portugueses na Índia ficou muito esquecida. Porque os portugueses, que foram para a Índia na altura, foram vistos como traidores porque se renderam. E para Portugal, na altura do regime de Salazar, isto foi visto como traição. O exército indiano tinha cerca de 50 mil soldados e os portugueses eram cerca de mil. Foram abandonados e depois, quando finalmente os foram buscar, são presos quando chegam a Portugal. O nosso filme retrata, um bocadinho desta história”.

Apesar da pouca informação sobre este momento da história de Portugal, “tudo o que existe são fotografias, são pequenos relatos, são nomes”, houve muito trabalho de pesquisa de toda a equipa “com relatos dos soldados que lá estiveram e com a pouca informação que ainda existe. A pesquisa foi feita por todos e cada departamento depois focou-se na sua parte especificamente”, explica Beatriz Simões.

Ler
1 De 127

Os pormenores como as cores e o que vestiam na altura foram tidos em conta e até os cigarros de uma das cenas “vieram de Londres”, são cigarros “muito específicos da época”, tudo foi pensado para “garantir que tudo o que nós estávamos a demonstrar era verídico”.

Thomás e Beatriz dizem que o “feedback tem sido sempre positivo” e agora estão “muito ansiosos e queremos continuar com a distribuição, queremos continuar a enviar o ‘Soldado de Goa’ não só para a Índia, mas para todo o mundo”.

Entretanto, ambos têm trabalhado como freelancers em cinema. “O Thomás focado mais na parte da realização e eu continuo como assistente de realização”.

 

O ‘Soldado de Goa’ em breve vai chegar ao Cartaxo à sala de cinema do Centro Cultural.

Isuvol
Pode gostar também