Ateneu Artístico Cartaxense continua a crescer e já prepara a nova época desportiva

Com 145 anos de história e cerca de 650 atletas distribuídos por mais de onze modalidades, o Ateneu Artístico Cartaxense prepara o futuro através da requalificação das suas instalações e da ambição de ampliar o pavilhão desportivo. Fomos até à sede conversar com dirigentes e treinadores das diversas modalidades e saber como estão a preparar a próxima época desportiva.

A coletividade centenária continua a investir na melhoria das condições para os seus atletas, recorrendo a diversas formas de angariação de fundos para concretizar os projetos. Depois de uma temporada de sucessos em várias modalidades, já se prepara e ambiciona a nova época desportiva. “Temos de inventar todos os dias atividades e festas para angariarmos dinheiro para sustentar a casa”, porque “não temos qualquer apoio para a manutenção deste edifício, que é gigante e precisa de ser mantido”, refere Raquel Ramos, presidente da direção do Ateneu desde 2022, agraciada com o troféu Dirigente Associativo do ano 2025 na Gala do Desporto, promovida pela Câmara Municipal do Cartaxo.

Rodolfo Cruz, funcionário do Ateneu desde 2015 e assistente de direção há cinco anos, conta que nos últimos anos têm investido em várias obras que visam melhorar as condições da prática desportiva dos atletas. Neste momento, está a decorrer a reparação e pintura de fissuras dos tetos e paredes do pavilhão e também a realização de uma sala de espera nova, com uma casa de banho incluída para pessoas com mobilidade reduzida, na cave do edifício. Ainda este ano, o Ateneu tem a ambição de requalificar uma sala de formação que se destinará à ocupação por parte de uma empresa, para rentabilizar o espaço. Vão também continuar a requalificar os alumínios do edifício, processo que foi iniciado no ano passado e que é um investimento de 10 mil euros. Todas estas obras têm vindo a ser feitas não só por necessidade, mas também por haver um objetivo ainda maior em vista: alargar o pavilhão desportivo. O alargamento para o lado da Praça de Touros seria de 41 metros de comprimento por seis metros de largura. Rodolfo explica que “o terreno é do Ateneu, mas necessita de um projeto e também de bastante financiamento”, e sublinha ainda que “todos estes investimentos têm sido possíveis graças aos patrocinadores que temos e aos inúmeros eventos que fazemos ao longo do ano”.

Magda Magalhães, administrativa do Ateneu desde 2004, considera que tem havido uma evolução “tanto a nível de condições de trabalho como de condições para os alunos que frequentam o Ateneu”. Magda conta que tem havido um grande crescimento do número de alunos ao longo dos anos. Eram cerca de 300 alunos em 2004 e atualmente são 650.

O Ateneu Artístico Cartaxense é uma das mais emblemáticas coletividades do concelho do Cartaxo. Com 145 anos de história, conta atualmente com 650 atletas nas mais de onze modalidades. Falámos com os treinadores para saber como estão a preparar a próxima época desportiva.

Tumbling, motricidade e formação Edite Silva, treinadora no Ateneu desde 1986 e distinguida em 2025, juntamente com Ana Guimarães, com o prémio treinadora do ano, na Gala do Desporto da Câmara Municipal do Cartaxo, considera que a época das classes de formação “correu muito bem”. Elogia os pais dos alunos (125 na época passada) porque acredita que “é uma maneira de dar continuidade à educação dos filhos”, considerando que “não é só a escola que forma os filhos, mas também a atividade física, porque quanto mais prática física fizerem melhor”. No que diz respeito ao tumbling, refere o apuramento de três atletas para o Campeonato do Mundo, que se irá realizar de 4 a 8 de novembro em Nanjing, na China. Uma das dificuldades que encontraram ao longo da temporada foi os horários escolares dos alunos, a treinadora defende que a escola devia “dar mais hipótese aos alunos que fazem competição de terem um horário mais facilitador”.

Trampolins Filipe Costa, treinador de trampolins, refere que foram apuradas para o mundial de ginástica (Trampolins e Tumbling) duas atletas “que vão representar Portugal pela primeira vez” e que estar presente no campeonato do mundo “é quase uma vitória”. Considera que o trampolim, desde que se tornou uma modalidade olímpica, tem evoluído muito e a exigência é cada vez maior. O treinador assume que a época passada foi muito longa e que fizeram uma grande aposta na participação em várias competições. Para a nova época, “vamos manter mais ou menos o mesmo registo do ano passado”, começando por ter uma prova internacional em outubro. “O objetivo passa por ir crescendo ano após ano”, tendo em conta que “o tipo de instalações que temos também tem vindo a crescer, temos tido mais material e mais condições de trabalho, e isso faz com que os resultados tenham vindo a evoluir”. Para Filipe Costa, “o essencial é o gosto pela modalidade e saber estar na modalidade, porque não é possível todos serem campeões”.

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Ténis Fábio Pereira, treinador de ténis, refere que têm sido “consistentes no número de praticantes, rondando sempre os 25/30 atletas desde os 6 aos 18 anos, mas também temos alguns adultos”. Considera que têm tido bons resultados, tendo ganho, no último torneio, a competição por clubes. O objetivo para a próxima época é “manter o número de praticantes ou até aumentar”, especialmente nas idades mais jovens dos 6 aos 8 anos. Para isso, entende que têm de “aumentar a divulgação ao nível das escolas, para conseguirmos ter mais praticantes nesse nível etário e também para manter a base para o futuro”. Considera ainda que têm todas as condições que são necessárias na Quinta das Pratas, onde decorrem os treinos.

Ballet Inês Xavier, professora de ballet, começa por dizer que a adaptação foi o maior desafio da época passada. Tendo em conta que foi o seu primeiro ano no Ateneu, decidiram “promover vários momentos para que se criassem laços entre todos”. Faz um balanço positivo da temporada que contou com 65 alunos e, principalmente, muitos alunos na faixa etária dos 7 aos 9 anos. Considera que cada faixa etária tem os seus desafios e que os alunos “são parte ativa das aulas e isso faz com que as crianças se entusiasmem”. Para o próximo ano, “esperamos manter o mesmo modelo de trabalho, com a novidade de tentarmos abrir uma turma de dança criativa”.

Dança desportiva João Santos, professor de dança desportiva, concluiu a sua primeira época como professor no Ateneu. Considera que “correu muito bem” e que “houve um bom empenho dos alunos”, conta ainda que “acabámos por federar a dança desportiva do ateneu na federação portuguesa de dança desportiva”, sendo um dos objetivos “levar o Cartaxo às competições nacionais e regionais”. Revela que tiveram 13 atletas e que as faixas etárias são muito vastas, existindo dança a pares e a solo. Tiveram ainda duas atletas que obtiveram excelentes resultados, tanto a nível regional como nacional. No balanço da época, considera que “foi fantástica, principalmente no acolhimento do Ateneu a esta atividade”. Destaca também as aulas do escalão de seniores, considerando que é “uma mais valia poderem dançar, porque a mente e o corpo estão a mexer”. Uma das expectativas para o próximo ano é “tentar ter mais gente porque é sempre uma mais valia uma atividade com mais gente” e também “tentar ir a todas as atuações que possam existir porque é uma demonstração daquilo que eles sabem fazer”, acabando por melhorar a confiança dos alunos.

Voleibol Vasco Galinha, professor de voleibol feminino, conta que estiveram dois anos sem competir de forma federada, entrando apenas em torneios amigáveis, que os clubes fazem pontualmente para angariação de fundos e para manter a competitividade das equipas. “Neste momento temos 60 alunas, mas interessadas em competir temos à volta de 30”. “Não temos objetivos de classificação, mas sim ganhar experiência”, pois considera que o primeiro ano é sempre um ano de aprendizagem. Os treinos têm vindo a decorrer no pavilhão da Escola Básica Marcelino Mesquita, que é onde há disponibilidade. Quanto à época passada, considera que “foi boa, entrou gente mais nova e se elas gostarem e continuarem dá-nos sustentabilidade para mais anos de trabalho”.

Judo Joaquim Nogueira, mestre de judo desde 2005, conta que esta foi a primeira época em que entraram em competição e considera que “tem sido cada vez melhor de época para época”. Recorda que há uns anos “não aparecia ninguém, sendo que havia cinco ou seis inscritos”. Considera também que a falta de referências no judo não ajuda à motivação dos alunos. Refere que trabalham essencialmente nas classes de formação, mas “sempre a tentar espreitar a competição quando realmente apareça alguém que justifique ir a um torneio”. Considera mesmo que o grande desafio é manter atletas, para que os mais novos possam ter referências dentro do próprio clube, e refere que há algumas condições no Ateneu que poderiam ser melhoradas.

Yoga para crianças Cláudia Rodrigues, professora de yoga para crianças, completou o seu primeiro ano a lecionar a modalidade. Considera que “o Yoga para crianças é uma atividade pensada para promover o bem‑estar físico e emocional dos mais novos”. A professora refere que “através de movimentos simples ou complexos, jogos de respiração e momentos de relaxamento, as crianças desenvolvem concentração, equilíbrio, criatividade e autoconfiança”, e explica que as sessões “são conduzidas de forma lúdica e adaptada às diferentes idades, criando um ambiente seguro onde cada criança pode explorar o corpo, a mente e as emoções”. Considera ainda que “esta iniciativa reforça o compromisso do Ateneu em proporcionar atividades que contribuam para uma infância mais saudável, tranquila e feliz”.

Zumba para crianças Susana Rodrigues, professora de zumba para crianças, conta que a época passada, “foi marcada por muita energia, alegria e espírito de grupo”. Refere que, ao longo do ano, teve o privilégio de acompanhar os alunos das aulas de Zumba e Zumba Kids, “vendo crescer não só a sua evolução física, mas também a confiança, a amizade e o gosto pela atividade física”. A professora conta que ao longo da época procurou “dinamizar as aulas com diferentes iniciativas, realizando aulas temáticas alusivas às várias épocas festivas do ano, tornando cada celebração ainda mais especial. Organizei também aulas solidárias para a recolha de donativos destinados a apoiar Leiria, acreditando que o desporto também é uma forma de promover valores como a solidariedade e a entreajuda”. Na próxima época, pretende continuar a fazer crescer as classes de Zumba e Zumba Kids, “acolhendo novos participantes e criando novas oportunidades para aprender, evoluir e, acima de tudo, desfrutar da atividade física com alegria”. O seu objetivo continuará a ser “proporcionar aulas onde a saúde, a diversão, a inclusão e o espírito de equipa caminhem sempre lado a lado”.

Krav Maga – defesa pessoal José Castelo, mestre de krav maga, refere que “a modalidade Escola Krav Maga distingue-se por uma abordagem moderna, adaptando o Krav Maga às necessidades e ameaças da sociedade atual”. Considera que a modalidade é acessível a praticantes dos 6 aos 70 anos, privilegiando movimentos naturais, eficácia e segurança. Nesta época desportiva, “a Escola Krav Maga registou um crescimento significativo no número de praticantes, reflexo da confiança depositada no nosso método de ensino e da qualidade da formação ministrada”. Para a nova época, “continuaremos a apostar numa divulgação mais assertiva, levando a modalidade a um número cada vez maior de pessoas e promovendo a importância da defesa pessoal como ferramenta de segurança, confiança e bem-estar”.

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