Morreu Francisco Valada, um nome maior do ciclismo

O antigo ciclista Francisco Valada, vencedor da Volta a Portugal em 1966, morreu na quinta-feira dia 23 de dezembro, aos 80 anos. As cerimónias fúnebres decorrem na próxima quarta-feira, dia 29 de dezembro, pelas 14h30, na Igreja Paroquial do Cartaxo.

Nasceu no Cartaxo a 15 de maio de 1941. Foi, juntamente com o pontevelense Ramiro Martins, o primeiro atleta olímpico nascido no concelho do Cartaxo, tendo participado na prova de estrada dos Jogos de Roma no ano de 1960.

Na infância, passava o tempo a jogar à bola nas ruas do Cartaxo. O pai quis que prosseguisse os estudos, mas assim que chumbou no segundo ano, teve de ir trabalhar. Assim, com apenas 13 anos, passa a ser ajudante do pai no transporte de mercadorias.

Por lá ficou até que, seis anos volvidos, surgiu a oportunidade de aprender o ofício de mecânico e foi por essa altura que surgiu “a doença da bicicleta”. Quem não gostou desta relação foi o patrão, pelos constantes atrasos de Francisco Valada ao trabalho.

Neste amor pelas bicicletas teve o apoio do pai que, grande amante do desporto, tendo praticado quase todas as modalidades, o incentivou a continuar, criando-lhe condições para que se dedicasse ao ciclismo a tempo inteiro, sustentando-o nos primeiros tempos.

O primeiro clube que representou foi o Águias de Alpiarça, que considera ter-lhe aberto as portas para um clube grande. O seu jeito para o pedal despertou a atenção do Benfica, e após a participação nos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960, onde foi 25º classificado na prova de estrada, foi para o clube da águia.

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De águia ao peito, fez oito Voltas a Portugal, conquistando um 1.º lugar, em 1966, um 5.º e um 8.º. Nas restantes, esteve sempre nos 20 primeiros, tendo mesmo vencido o Prémio das Metas Volantes, em 1965, e vestido a amarela por nove vezes.

No total, ao longo da sua carreira, Francisco Valada correu 10 Voltas a Portugal, a que acrescem mais sete enquanto treinador.

Francisco Valada participou, igualmente, em três Voltas a Espanha e duas a França, uma ao Estado de São Paulo e cinco Voltas à Andaluzia, onde foi 5º classificado. Nas várias provas Lisboa/Porto e Porto/Lisboa em que correu, destacam-se o 1.º, em 1964, 2.º e 6.º lugares. A estas classificações juntam-se os títulos de Campeão Regional de Fundo e Campeão Nacional de Seniores e Profissionais. Nos circuitos, venceu os do Cartaxo, Mealhada, Grândola, Loulé e Torres Vedras.

Passou ainda pela equipa Âmbar, tendo abandonado a carreira de ciclista em 1972. Como treinador, passou pelo Sporting, pelo Águias de Alpiarça e pelo Benfica.

Francisco Valada foi um dos nomes maiores do ciclismo nacional. No entanto, garantia que não foram os momentos das grandes vitórias que mais o marcaram. Na sua retina ficaram os incentivos que recebia nas ruas apinhadas de gente das localidades do concelho e arredores, que tinham no ciclismo o ponto alto das suas festas.

Para treinar, aquando da sua passagem pelo Águias, Francisco Valada fazia o trajeto de bicicleta. Até mesmo para as corridas ia em duas rodas: chegava aos locais, corria, e voltava a pedalar.

Ao longo da sua vida de corredor, Francisco Valada só comprou uma bicicleta, que lhe custou três contos.

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